A arte de formar-se: o protagonismo do indivíduo na formação presbiteral

Atualizado: 17 de Set de 2020


Desde o dia em que nasce o homem, sua história é uma história em formação. Forma-se ele biologicamente, familiarmente, socialmente e, em nosso caso, também no seguimento discipular e configuração ao Cristo. Cuida-se de uma formação integral que costura o intelecto, o espírito e as mais diversas faculdades humanas A formação presbiteral é, pois, verdadeiro trabalho de lapidação e falar em uma arte de formar é justo e coerente.

Como bem vemos, desde os primeiros dias de nossas vidas, somos tomados pelas mãos por nossos pais que nos introduzem na dinâmica essencial da vida e da fé e, pouco a pouco, nos lançam às mãos de outros tantos que nos ajudam a caminhar: professores, líderes religiosos, amigos etc. Mas as dimensões mais profundas de nossa formação, aquelas das quais frui nosso amadurecimento, são também resultado de um esforço próprio cuja técnica cada um a encontra no desenvolver de seus propósitos diante do seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.


É nesse ponto que a assimilação da formação como uma arte ganha uma bela expressão. O artesão é aquele que se esforça para aprender de alguém uma técnica, mas que só a desenvolve no exercício do próprio ofício, ele mesmo. A dedicação, o tempo ofertado, o aprimoramento dos processos, a descoberta de novas ferramentas são exercícios do próprio esforço que frutificam na obra que se propõe a apresentar.

Como candidatos ao sacerdócio, somos então colocados diante de muitas ferramentas que, cotidianamente, aprendemos a usar, mas cujo uso depende principalmente de nossa própria atitude diante deles. Aproveitar ao máximo a oferta de uma boa formação acadêmica, das iniciativas espirituais e pastorais revela muito de como o seminarista de hoje assumirá o ministério de amanhã.


Sem a pretensão, contudo, de bastar a si e de completar a obra que é do próprio Deus, é sempre necessário ter em mente que nossa iniciativa deva estar entrelaçada a um frutuoso e humilde sentimento de obediência que, como as linhas das artesãs que tecem rendas, vão construindo a trama da vida de um novo sacerdote, um misto de formas e espaços pelos quais a luz do Espírito Santo, sempre dinâmico, vem nos iluminar.

Desta forma, especialmente nestes tempos de isolamento, sob a lúcida e reconhecida agulha de nossos formadores, os seminaristas são lançados em um estado de profunda reflexão sobre seu próprio papel na construção do padre que irá servir o povo e a Igreja no alvorecer dos amanhãs.


Welder Castro P. Andrade

(Seminarista do 1º ano de teologia)

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