A Igreja em tempos de pós-pandemia (II)

Padre Tomáš Halík publicou, no dia 24 de abril, no website francês “La Vie”, instigante artigo intitulado “Igrejas fechadas, um sinal de Deus?”. O renomado intelectual tcheco e ex-dissidente comunista alertou que o fechamento temporário das igrejas devido ao coronavírus deve ser visto como um alerta para o futuro do catolicismo. É certo que a realidade da Igreja na Europa é bem diferente da realidade na América Latina. Num sentido geral, a Igreja é chamada a ler os sinais dos tempos, emitir um diagnóstico sobre a realidade do ser humano, voltar ao coração do Evangelho para tornar-se, de fato, um “hospital de campanha”, como vem indicando em variadas ocasiões o Papa Francisco. Segundo o Padre Halík, essa é “uma metáfora que indica que a Igreja não deve ficar em um esplêndido isolamento do mundo, mas deve derrubar suas fronteiras e ir, levar ajuda a todos os lugares onde as pessoas se encontrem necessitadas física, mental, social e espiritualmente”. O autor fala em criar “ilhas de espiritualidade e de diálogo” que poderiam ser a “fonte de uma força capaz de curar um mundo doente”.


Diretamente do Nordeste brasileiro, Dom Paulo Jackson, Bispo de Garanhuns (PE) e Presidente do Regional Nordeste 2 da CNBB, acena para a vida da Igreja na pós-pandemia, o desafio de retornar às atividades pastorais, em entrevista ao website de seu Regional, no dia 19 de maio. Afirma ele: “Estamos caminhando para uma nova compreensão da adoração eucarística, retornando à Igreja primitiva feita de pequenos núcleos familiares e comunitários que se reúnem em casa ou no ambiente de trabalho, por exemplo. Isso também exigirá pastores mais sensíveis que tomem os devidos cuidados com a saúde, mas não tenham medo de se lançar”. Desta afirmação surgem sérios questionamentos: Como nós, pastores do povo de Deus, estamos nos preparando para lidar com esses novos desafios? Estamos formando os formadores do povo de Deus com renovada mentalidade? Quais as metodologias e estímulos precisam ser suscitados para realizar a missão de novos evangelizadores? Como reforçar as políticas públicas que favoreçam o cuidado da vida?


O teólogo jesuíta, natural de Barcelona, Padre Víctor Codina é mais arrojado em suas profecias. Ele faz a síntese da experiência eclesial europeia e latino-americana. Depois de 17 anos ensinando na capital da Catalunha, migrou para a Bolívia, onde viveu por 36 anos, entre atividades acadêmicas e pastorais, inserido no meio do povo. Em 2018, retornou a Barcelona e dali continua a escrever preciosos textos, contribuindo com a reflexão teológica e pastoral. Em artigo publicado no periódico Religión Digital, datado de 07 de maio, lança uma questão importante: “O que Deus quer nos dizer?” Continua ele, “em nível eclesial talvez possamos pensar que o Espírito nos convida a passar de uma Igreja sacramentalista e clerical a uma Igreja evangelizadora”.


Segundo Codina, a Igreja sacramentalista não só reduz sua atividade à celebração dos sete sacramentos. Esse tipo de eclesiologia corre “o risco de considerar o clero como o protagonista da Igreja, o templo como seu centro autorreferencial ou próprio, enquanto marginaliza os leigos, descuida da evangelização, o anúncio da Palavra, a iniciação à fé, a oração, a formação cristã, sem formar uma comunidade cristã, nem um laicato de cidadãos responsáveis e solidários com os pobres e marginalizados”. Bem diferente é a Igreja evangelizadora que apresenta, segundo o autor, os seguintes objetivos: “anunciar a boa-nova do Reino de Deus, pregar, curar os doentes, comer com pecadores, dar de comer aos famintos, libertar de toda opressão e escravidão”, bem de acordo com a prática de Jesus. “Não se trata de esquecer os sacramentos, pondera o autor, mas sim de valorizá-los como ‘sinais sensíveis e eficazes da graça’, porém sempre à luz da fé da Palavra, para que não se convertam em magia e passividade”. E confirma o axioma “a eucaristia faz a Igreja”, porém pontua com audácia que “essa frase deve ser completada com sua contraparte: ‘A Igreja faz a eucaristia’, (compreendendo que) é toda a comunidade, presidida por seus pastores, que celebra a Eucaristia. Sem o tecido de uma comunidade eclesial não haveria eucaristia”.


Víctor Codina, recordando a eclesiologia do Papa Francisco, apresenta os traços “de uma ‘Igreja em saída’ para as fronteiras, hospital de campanha, que cheira ovelha, que encontra Cristo nas feridas do povo e da Igreja, cuida de nossa Casa Comum, leva a fé às ruas, como Maria que foi com pressa visitar sua prima Isabel. Não se trata de converter a Igreja em uma ONG, pois a eucaristia, memorial da morte e ressurreição de Jesus, é o cume da vida cristã, porém somente se c

hega a esse cume pelo caminho de fé e do seguimento a Jesus”. Para concluir, o autor assim se refere: “Quando acabar a pandemia, não voltemos a restaurar a Igreja sacramentalista do passado; saiamos à rua para evangelizar sem proselitismos, para anunciar com alegria a boa-nova de Jesus aos que não entram no templo. Assim, terá sentido pleno celebrar na comunidade cristã a partilha do pão e os demais sacramentos”.


Padre Geraldo Maia

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