A Igreja em tempos de pós-pandemia (IV)

Após apresentar alguns ângulos de visão sobre o ser Igreja em tempos de pós-pandemia, apresentamos agora alguns esboços traçados pelo Papa Francisco. O exercício do ministério do Bispo de Roma antes da pandemia do Coronavírus pode ser entendido como uma preparação, à luz da Providência, para o enfrentamento da crise que se abateu sobre a Igreja e sobre o mundo, no início deste ano. Algumas intuições apresentadas pelo Magistério de Francisco dizem muito sobre o ser Igreja nestes tempos atuais: “hospital de campanha”, “construir pontes”, “cultura do encontro como resposta à cultura do descarte”, “ir às periferias existenciais...”

As projeções de diversos organismos internacionais alertam para uma “crise sem precedentes”, como consequência da pandemia. Para ajudar a planejar o papel da Igreja no mundo pós-pandemia, Francisco criou no mês de abril uma Comissão especial sob a liderança do Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral. Tal comissão tem como objetivo “a análise e a reflexão sobre os desafios socioeconômicos e culturais do futuro e a proposta de diretrizes para enfrentá-los”. Segundo Turkson, “o Papa está convencido de que estamos em uma mudança de época e isso está refletindo sobre o que virá depois da emergência, as consequências econômicas e sociais da pandemia, o que teremos que enfrentar e, acima de tudo, o modo como a Igreja poderá oferecer-se como ponto de referência seguro para o mundo desorientado diante de um evento inesperado”. O padre argentino Augusto Zampini, membro dessa Comissão, disse perceber na pandemia “uma oportunidade de ver a Igreja que sai, que arregaça as mangas e se suja de barro para dar esperança, abraçando a todos, especialmente aos mais pobres”.


Recentemente foi publicado um livro, reunindo oito importantes pronunciamentos do Papa, com o título “Vida após a pandemia”, editado pela Libreria Editrice Vaticana, com prefácio do Cardeal Michael Czerny, subsecretário da Seção Migrantes do Dicastério para o Serviço Humano Integral. Oito textos para serem lidos “como uma única progressão” do pensamento de Francisco, com dois objetivos: “sugerir uma direção, chaves de leitura e diretrizes para reconstruir um mundo melhor” depois da crise que estamos vivendo e “semear esperança” em meio a tantas desorientações.

Segundo Czerny, o Papa Francisco “alonga a mão com afeto paterno e compaixão, assumindo o sofrimento e o sacrifício de muitas pessoas”. Fala aos chefes de Estado e de Governo, mas nesta coletânea “escuta e olha” também para os muitos “invisíveis”. Francisco faz um apelo ao compromisso, à ação e à oração. O compromisso em combater o “vírus do egoísmo dos interesses privados” que na pandemia se revelou como um sistema falimentar, atuando em uma “conversão permanente e resoluta” rumo a uma “nova era de solidariedade”. O Papa “nos pede para mostrar coragem de inovação, experimentando novas soluções e empreendendo novos caminhos”. Pede para “desafiar e mudar os empreendimentos atuais, reconhecer o trabalho informal, reforçar o trabalho da assistência de saúde”, respondendo a carências e erros que a pandemia evidenciou e não considerar nada como óbvio, a partir da importância do estar juntos. Para Francisco, a crise do Coronavírus é oportunidade de repensar as diretrizes econômicas, políticas e ambientais em benefício da humanidade e da terra inteira. Nossa vida, depois da pandemia, não deve ser uma réplica do que foi antes.


Christopher Lamb, em reportagem publicada no “The Tablet” (28.05.2020), apresenta um lúcido programa de prioridades da Igreja em tempos de pós-pandemia, à luz do pontificado de Francisco. Segundo ele, no olhar do Papa, a crise não é uma oportunidade para reestruturar as instituições. É um momento para refletir e perguntar o que pode ser feito para garantir que todos os aspectos da vida eclesial se concentrem na evangelização missionária, para que ela se aproxime da Igreja dos primeiros séculos. O derrotismo, declara Francisco na Evangelii gaudium, “nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre” [n. 85]. O Papa quer uma Igreja voltada para fora, em permanente estado de missão e focada nos pobres, em vez de ter um olhar autorreferencial, voltado para dentro. Em mensagem enviada às Pontifícias Obras Missionárias, assim se expressou Francisco: “Não gastem tempo e recursos demais olhando-se no espelho, elaborando planos autocentrados nos mecanismos internos, em funcionalidades e competências do próprio aparato. Olhem para fora”. Foi ainda mais ousado: “Quebrem todos os espelhos de casa!”.



Seguindo essa leitura atenta aos ensinamentos de Francisco, Christopher Lamb sugere quatro marcas da Igreja em tempos de pós-pandemia. 1. Simplicidade missionária: o Coronavírus está forçando a Igreja a concentrar-se em sua mensagem principal: levar a Boa Nova de Jesus Cristo às “periferias”, aos lugares onde se encontram os mais vulneráveis, os mais pobres e os esquecidos. 2. Igreja focada nos pobres: o desemprego e as dificuldades financeiras que ocorrerão por causa da Covid-19 e que afetarão mais os mais pobres tornarão a missão social da Igreja mais vital. 3. Relação renovada com o mundo natural e com a ciência: a crise gerada pela pandemia tem demonstrado que a crença na ciência moderna não precisa ser sacrificada sob o altar da fé. 4. Criatividade litúrgica e pastoral: a Igreja já está encontrando novas formas de levar os sacramentos e a mensagem do Evangelho aos fiéis, no contexto das restrições à saúde pública.

Finalizo com palavras de esperança de Christopher: “há sinais de uma vida nova – e da possibilidade de uma Igreja emergir da crise mais focada em sua missão principal e em confiar na promessa deixada por Jesus de ‘fazer obras ainda maiores do que estas’ (João 14,12)”.


Padre Gerado Maia


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