A Igreja em tempos de pós-pandemia (V)


Nos artigos anteriores, visitamos vários pensadores e recolhemos reflexões e propostas indicativas para o ser Igreja em tempos de pós-pandemia. Gostaríamos agora de finalizar essa série de artigos com uma síntese propositiva. Diante de um desafio que se impõe e de um fato novo, não é fácil desbravar novas veredas. Começamos por saber que não será possível continuar como era antes. Na crise, é preciso dar um passo à frente como garantia de maturidade. Proponho, a seguir, quatro passos que considero fundamentais para sairmos melhorados dessa crise.

Primeiramente, é preciso tomar consciência da fragilidade. A pergunta que prevalece aqui é: “Que Igreja somos?” A pandemia do Coronavírus nos fez despertar de um sonho de onipotência: celebrações triunfais, pastoral de massas, relações despersonalizadas. De repente, descobrimo-nos frágeis e vulneráveis. E descobrimos, também, que frágeis e vulneráveis são nossos métodos de evangelização. Na verdade, ainda não acolhemos aquela prospectiva do Documento de Santo Domingo, que propunha evangelizar com novos métodos, ou do Documento de Aparecida, que propunha a superação de uma pastoral de manutenção para assumir um ser Igreja em estado permanente de missão, ou, ainda, em termos do Papa Francisco, ser “Igreja de campanha”.


Diante da consciência de nossa fragilidade, somos chamados a dar um segundo passo: constatar a consciência de identidade. A pergunta que prevalece aqui é: “Que Igreja queremos ser?”. A dramática experiência de dor e sofrimento causada pela pandemia do Coronavírus que atingiu tantas famílias e comunidades nos tem ensinado como ser Igreja hoje. Antes de tudo, somos chamados a nos compadecermos diante dos dramas de cada pessoa e da humanidade como um todo, chamados a ser a Igreja da compaixão. Outra característica importante é ser a Igreja do cuidado, no sentido da solidariedade e da partilha com os irmãos e irmãs e o cuidado com todo o mundo criado, cuidado com a natureza; uma Igreja que esteja atenta a socorrer os empobrecidos e os mais necessitados: Igreja samaritana. Somos chamados a ser a Igreja das periferias sociológicas e existenciais, atentos a todas as pessoas que se encontram às margens da sociedade e das condições plenas de vida. Essa dinâmica de alteridade nos chama a ser a Igreja servidora, olhos fixos em Jesus Cristo que veio para servir e não para ser servido. Esse serviço haverá de ser exercido em três mesas: na Mesa da Palavra, para anunciar a alegria do Evangelho a todas as pessoas, em espírito missionário; na Mesa da Eucaristia e dos sacramentos para perpetuar o memorial do Mistério Pascal, como espaço de comunhão e de vida nova; na Mesa da fraternidade, com atenção para os empobrecidos e os mais necessitados. Importante será assumirmos, como Igreja, o testemunho de Jesus Cristo e de seu Reino, como fizeram os Apóstolos, discípulas, discípulos e tantos cristãos ao longo da história: Igreja do testemunho. Imprescindível é ser a Igreja da esperança, com olhos inebriados a contemplar, e braços estendidos a apontar, os sinais do Reino de Deus em nosso meio, bem como o sonho definitivo que Deus tem para seu povo.

O terceiro passo será aquele relacionado à consciência dos métodos. A pergunta que aqui se impõe é: “Como ser a Igreja com a qual nos identificamos?”. Os desafios da comunicação e da vivência da fé cristã impostos pela pandemia levaram nossos agentes e nossas comunidades a desenvolverem e aprimorarem diversos e criativos métodos de evangelização. Vale intensificar esses métodos para manter as famílias e as comunidades unidas, rezando e refletindo juntas, como nas primeiras comunidades cristãs. Lindos gestos de comunhão e solidariedade foram desenvolvidos e precisam ser intensificados, como celebrar em família a Palavra de Deus, desenvolver valores éticos e evangélicos à luz da fé, comprometendo-se com a justiça do Reino de Deus. A tecnologia pode auxiliar muito na formação para o seguimento de Jesus Cristo e na vivência eclesial. É preciso, porém, estarem todos atentos às tendências de massificação.

O quarto e último passo refere-se à consciência dos agentes. Aqui se pergunta: “Quem será protagonista deste ser Igreja?”. Trata-se do chamado e da capacitação dos agentes, o que é essencial em todo e qualquer projeto. Os agentes deste novo jeito de ser Igreja são múltiplos e precisam ser bem formados na escola de Jesus de Nazaré: o bispo diocesano, os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, leigos e leigas, ministros das comunidades e pessoas engajadas nos organismos, nas pastorais, movimentos, serviços... Todos são chamados a passar por um processo de conversão pastoral, de volta a Jesus, para assumir o “itinerário formativo ser Igreja em tempos de pós-pandemia”. É imprescindível elaborar etapas, seja para a formação inicial, seja para a formação permanente dos agentes, cuidando uns dos outros, em profunda comunhão fraterna.


Ser Igreja é estar no seguimento de Jesus Cristo, a serviço do Reino de Deus presente na história, rumo à eternidade. A missão da Igreja é evangelizar, anunciar a Boa Nova do Reino, com referencial em Jesus Cristo e seu Evangelho. A palavra “igreja” remete a “assembleia”, povo reunido. Jesus chamou apóstolos, discípulos e discípulas para formarem comunidade. Há que se superar, portanto, toda tendência intimista e individualista da fé para abrir-se à vivência da comunidade. Assim compreendido, a família é a primeira comunidade onde se cultiva e se vivencia a fé cristã. É imprescindível ter pertença a uma comunidade de seguidores de Jesus Cristo, interagindo fé e vida, realidade e Evangelho. Iluminados por essa fé, em espírito de profunda caridade fraterna, abrimo-nos à esperança de tempos novos: “o que nós esperamos, conforme sua promessa, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça” (2Pd 3,13).


Padre Gerado Maia

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