Assembleia Eclesial

Atualizado: Jul 2


A Igreja na América Latina e Caribe traz uma bela tradição de realizar Conferências Gerais do episcopado. A primeira dessas Conferências foi realizada no Rio de Janeiro, em 1955, quando foi criado o CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano). Essa instituição se mostrará muito importante no processo de evangelização, considerando as características especiais dos povos nativos e residentes neste subcontinente, a partir de análises estruturais em âmbito socioeconômico-político-religioso-cultural.

Após a realização do Concílio Vaticano II, os bispos da América Latina tiveram a grande intuição de realizar uma Conferência Geral do Episcopado para acolher as novidades do Concílio. Isso se deu em Medellín (Colômbia), em 1968, com a presença do Papa Paulo VI. Onze anos depois aconteceu a terceira Conferência, na cidade de Puebla (México), em 1979, com a presença do Papa João Paulo II. Para celebrar os 500 anos de evangelização do continente americano, houve uma nova Conferência Geral, em Santo Domingo (República Dominicana), 1992, que ofereceu grandes intuições na perspectiva da inculturação do Evangelho. A última da série dessas Conferências se deu em Aparecida, em 2007, com a presença do Papa Bento XVI.


O Cardeal Bergoglio, futuro Papa Francisco, estava presente em Aparecida, tendo atuação significativa na qualidade de redator do documento final. Ao assumir o pontificado, em 2013, Francisco alargou as grandes intuições pastorais de Aparecida para o âmbito universal. Em seus documentos e pronunciamentos em geral, detectamos facilmente os enunciados de Aparecida. Consultado sobre a possibilidade de uma nova Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, Francisco disse que é preciso aprofundar mais a riqueza do documento de Aparecida. Daí surgiu a ideia de organizar a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe.

Vários passos já foram dados em direção a essa Assembleia Eclesial. O tema escolhido é “Todos somos discípulos missionários em saída”. A Assembleia está prevista para acontecer de 21 a 28 de novembro, na cidade do México, sob o olhar de Nossa Senhora de Guadalupe. Servindo-se do método “ver-julgar-agir”, essa primeira Assembleia Eclesial terá um “carácter sinodal, que significa literalmente ‘caminhar juntos’: leigos, leigas, religiosos e religiosas, diáconos, seminaristas, sacerdotes, bispos e todas as pessoas de boa vontade que desejam fazer parte deste caminhar em comunidade”.


Os principais propósitos da Assembleia Eclesial são os seguintes: reacender a Igreja de nova maneira, apresentando uma proposta restauradora e regeneradora; ser um evento eclesial em chave sinodal, e não apenas episcopal, com uma metodologia representativa, inclusiva e participativa; fazer uma releitura agradecida de Aparecida que possibilite gerenciar o futuro; ser um marco eclesial que consegue relançar grandes temas ainda em vigor, surgidos em Aparecida e voltar a temas e agendas marcantes; reconectar as cinco Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano e Caribe, ligando o Magistério Latino-americano ao Magistério do Papa Francisco, acentuando três marcos: de Medellín a Aparecida, de Aparecida à Querida Amazônia, da Querida Amazônia ao Jubileu Guadalupano e da Redenção em 2031+2033.

Para ajudar no processo de escuta do povo de Deus, foi elaborado um texto chamado “Documento para o caminho – Em direção à Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe” (DC), disponível em formato virtual. O texto está dividido em três capítulos, conforme as três etapas do método consagrado a ser trabalhado na Assembleia. O primeiro traz como título: “A vida dos nossos povos na América Latina e no Caribe (ver)”. O segundo capítulo, bem menor, se intitula “Do encontro com Jesus Cristo, a vida dos nossos povos é iluminada (iluminar)”. O terceiro capítulo apresenta algumas intuições pastorais: “No caminho da conversão pessoal, comunitária e social (agir)”.

Já na conclusão desse documento, há uma palavra de motivação quanto à participação do Povo de Deus nesta Assembleia Eclesial: “Encorajamos-vos a contribuir com a riqueza dos vossos dons, com as vossas reflexões, observações e propostas inovadoras para o discernimento comum, exercendo a corresponsabilidade como membros do Povo de Deus para que os nossos povos possam ter vida. Abrimo-nos à escuta do Espírito que nos convida à conversão pessoal e comunitária, para discernir novos caminhos para a presença da Igreja e a sua renovação missionária (cf. DA 365 e 372)” (DC 71). O propósito, portanto, não é preparar mais um documento a partir de gabinetes, mas a partir da escuta ao Povo de Deus, em perspectiva de sinodalidade.


Para facilitar o processo de participação do povo de Deus na Assembleia Eclesial e acolher o fruto de suas reflexões, foi lançado um guia com orientações, intitulado “Guia Metodológico do Processo de Escuta do Povo de Deus que peregrina na América Latina e no Caribe”. A questão central que a Assembleia Eclesial almeja responder é a seguinte: Quais são os novos desafios para a Igreja na América Latina e no Caribe, à luz da V Conferência Geral de Aparecida, dos sinais dos tempos e do Magistério do Papa Francisco? Para atingir essa finalidade, foram elaboradas várias questões a serem respondidas.

Sinodalidade significa “percorrer juntos o caminho”. Por isso, todos são chamados a participar desse processo de escuta. Essa participação poderá ser feita de forma individual ou em pequenos grupos (comunidade, membros de conselhos, equipes de pastoral, de serviços, sindicatos, instituições eclesiais ou sociais...). O importante é que todos participem desse processo de escuta, reflitam sobre como ser Igreja hoje e apresentem suas contribuições para esse processo de elaboração da Assembleia Eclesial. Basta cadastrar-se na plataforma através do site oficial https://asambleaeclesial.lat/. Ao acessar o site, a pessoa pode fazer a opção pelo idioma português.

Na Introdução do documento preparatório, é apresentado um propósito do itinerário a ser percorrido rumo à Assembleia Eclesial: “Caminhemos em direção a esta Assembleia Eclesial com plena consciência de que estamos entrando num tempo de oração e de escuta do Espírito, que nos ajudará a reconhecer os sinais dos tempos em comunidade (cf. EG 14)”. (DC 4)


Padre Geraldo Maia

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