Assembleia Eclesial e Bíblia


Por motivação do Papa Francisco, em novembro de 2021 acontece, no México, debaixo da proteção de Nossa Senhora de Guadalupe, em vez de uma Conferência Episcopal uma Assembleia Eclesial para a América Latina e Caribe. Na mente do Papa vemos a intenção de retomada da riqueza do Documento de Aparecida, que ainda não foi colocada em prática em toda sua dimensão na Igreja.

A preparação remota dessa Assembleia está acontecendo através do processo que chamamos de escuta, dando oportunidade a todas as comunidades e pessoas, individualmente ou em grupo, a dar sua contribuição. A diversidade das opiniões e as reflexões, que estão sendo feitas para responder às perguntas propostas, vão ajudar muito na riqueza do evento, a acontecer no mês de novembro.


O processo de escuta foi incentivado pelo Papa Francisco. Para ele, esta é uma maneira de valorizar e de acolher as pessoas, mostrando que na Igreja existe espaço para todos, principalmente em momentos difíceis na vida da população. Diante da pandemia do coronavírus e das grandes dificuldades do momento e da profunda crise, a Assembleia Eclesial não deixa de ser espaço de esperança.

Neste caminho de escuta e preparação para este importante evento, está o mês temático de setembro, chamado de Mês da Bíblia. A Palavra de Deus realmente é a fonte primeira para a realização de uma Assembleia Eclesial. Neste ano de 2021, foi proposta como tema para reflexão a Carta de São Paulo aos Gálatas, com o lema, “pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

Ao escrever para a comunidade dos Gálatas, Paulo fala da construção da sociedade através da liberdade dos cristãos, mas com a condição de cuidar dos pobres e defendê-los de qualquer situação que os leve ao empobrecimento. Esta é uma realidade que deverá ser pertinente na condução da Assembleia Eclesial, olhando para os grandes problemas de pobreza em nosso continente.


A maior preocupação da Assembleia deverá ser o processo urgente de nova evangelização, certamente superando a tendência fundamentalista, relativista e a religião da prosperidade, como se existisse um outro evangelho, muito presente na história da Igreja dos novos tempos. O equilíbrio disso depende de total e radical compromisso dos cristãos com o Evangelho de Jesus Cristo.


Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

48 visualizações

Posts recentes

Ver tudo