Cântico de Simeão

Olá!

“Deixai agora o vosso servo ir em paz”.

Assim começa o chamado Cântico de Simeão, que rezamos nas Completas – última oração do dia na estrutura da Liturgia das Horas, que toda a Igreja reza unida.

De todos os Hinos, Salmos e Cânticos que compõem a Liturgia das Horas, o verso acima é o que mais forte toca o meu coração. Quer saber por quê?

Bem, então vamos começar pelo contexto desse cântico evangélico, extraído do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas (Lc 2,29-32). Os versículos anteriores (22-28) narram a Apresentação de Jesus no Templo – sobre a qual meditamos no quarto Mistério Gozoso do Terço Mariano. Nesse trecho, encontramos a referência a Simeão, um judeu justo e piedoso a quem o Espírito Santo revelara que não morreria antes de ver o Messias. Quando Maria e José levaram Jesus para cumprir o preceito de purificação da mãe de um recém-nascido, lá se encontrava Simeão que, vendo o menino, tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo:




Deixai agora vosso servo ir em paz,

conforme prometestes, ó Senhor.

Pois meus olhos viram vossa salvação

que preparastes ante a face das nações:

uma luz que brilhará para os gentios

e para a glória de Israel, vosso povo”.

Essa passagem nos revela muitas riquezas, a começar pela graça do Espírito Santo que se faz presente em quem tem o coração puro e aberto à Palavra de Deus. E dessa graça brotam a fé e a esperança de um dia experimentar a salvação em Jesus Cristo.

Assim aconteceu com Simeão. E, de certa forma, acontece comigo a cada dia, especialmente no momento em que recito esse cântico, junto com um grupo virtual de oração da Liturgia das Horas.

Bem sei que estou longe de ser digno da glória concedida por Deus a Simeão. Por isso mesmo, não penso em morrer tão cedo. Mas, quando começo a rezar esse cântico, sinto como se já fosse possível, pela misericórdia de Deus, partir em paz. E, creiam, é uma sensação muito agradável.

A expressão em latim que sublinha meu nome (ao final deste texto e em meu perfil do WhatsApp) significa “a caminho da paz”. É assim que me sinto e é essa certeza que me dá força para seguir em frente, mesmo quando tropeço nas “pedras” do caminho.

Luiz Villela

“in viam pacis”

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