CARTA DE TIAGO

Continuando nossa reflexão sobre a Carta de Tiago, ainda no capítulo 5, os vv. 13-16 exortam a nunca se esquecer de Deus, seja em dias felizes, seja em dias difíceis. Diante das dores e aflições a serem suportadas, a atitude cristã é a oração. A oração confere força e paciência para suportar as dores e disposição interior para vencer o sofrimento e ainda ajuda a eliminar as dificuldades. Com a força de Deus, o cristão consegue elevar hinos e cantos de agradecimento pela obra salvífica de Deus em Jesus Cristo, mesmo diante das cruzes da vida. O Antigo Testamento recorda a importância do relacionar-se contínuo com Deus, tanto na alegria como na dor (seja dor do corpo ou da alma, enfermidade física ou espiritual).


Sob esse prisma, a doença é vista como o momento de aproximar-se de Deus. Não se deve ver a doença de forma estoica nem ser entendida puramente como limites naturais da vida humana. O doente deve chamar os presbíteros da comunidade, que são as únicas pessoas investidas de autoridade que Tiago apresenta e devem curar/salvar o doente com a oração e a unção com óleo. Para o apóstolo, foram instituídos para curar/salvar, observando a ordem que Jesus Cristo confiou à Igreja. Muito interessante que o poder de curar esteja ligado à instituição eclesial e não dependa de um dom carismático de uma pessoa (como era apresentado por Paulo).

Para Tiago, a unção dos enfermos é claramente em vista da vida e não como preparação do doente para a morte (concepção de unção de Jesus em Betânia, no Evangelho de Marcos). A unção visa à recuperação da saúde e da vida. Ao óleo é comum atribuir um poder medicinal (Mc 6,13; Lc 10,34) e um poder curativo exorcizante (as doenças eram muitas vezes consideradas possessão demoníaca). Embora seja a gênese do sacramento da Unção dos


Enfermos, segundo a tradição, faltam elementos de tipo sacramental. O determinante é que a oração e a unção sejam feitas “no nome do Senhor”, isto é, por ordem do Senhor, invocando seu nome e sua potência. O v. 15 confirma que a cura depende sobretudo da oração, não apenas dos presbíteros, mas da oração feita na fé pela Igreja e pelo enfermo em grau de trazer a cura ao doente. O conceito de fé não é o mesmo de Tg 2, mas aproxima-se do conceito dos Sinóticos (Mc 5,34; Mt 21,22) ou seja, fé como confiança, aceitação e adesão a Jesus.

Importante salientar que não se atribui ao óleo ou à oração uma eficácia automática, de forma mágica. O texto mostra que é o Senhor, o próprio Cristo Jesus quem curará o doente. No texto, é incluído o tema do pecado (se tiver cometido pecado, receberá o perdão). Na época, todo doente era considerado ipso facto um pecador (a doença era vista como uma presença do demônio, uma ausência de Deus ou um castigo por causa do pecado). O pecado era o causador de doenças. Todos os evangelhos sinóticos mostram essa união entre cura e perdão dos pecados, dimensão salientada tantas vezes por Jesus.



A indicação do v. 16 de se confessar reciprocamente os pecados e de se orar uns pelos outros é limitada ao caso de doenças, pois apresenta a finalidade dessa prática: a fim de serem curados. Aqui não se refere à confissão sacramental, não está falando de presbíteros nem sugere que a confissão seja pública, na assembleia da comunidade celebrativa reunida. No âmbito da igreja apresentada por Tiago, todos podem rezar uns pelos outros, ouvir a “confissão” e conferir a “remissão” dos pecados. O autor assim apresenta que a oração dos justos é muito potente aos olhos do Senhor. Retomando: não se trata do Sacramento da Reconciliação, mas de uma correção fraterna entre os membros da comunidade.

No próximo artigo, estaremos refletindo sobre a cura dos doentes e sobre os versículos finais desta Carta de Tiago, tão importante para nossa vida cristã.

Padre Marcelo Lázaro

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