Carta de Tiago

Continuando nossa reflexão sobre a Carta de Tiago, ainda no capítulo 5, encontramos este que é um dos

textos mais conhecidos, especialmente por causa do Sacramento da Unção dos Enfermos, que tem no capítulo 5 um de seus componentes bíblicos originais.

O tema é sobre a cura dos doentes. Não se pode, diante de tantos testemunhos presentes nos evangelhos, duvidar que Jesus e os apóstolos tenham curado doentes de fato. A cura dos doentes é algo inquestionável, especialmente porque era um sinal visível da chegada e da presença do Reino de Deus, da inauguração dos tempos messiânicos. Tais curas eram um fato consentido por todos os antigos testemunhos, visto como uma ação divina, um milagre do céu presente no mundo dos homens. Tanto no mundo judaico como no paganismo, existem relatos de curas milagrosas, confiadas e conferidas por Deus.

Os relatos do Novo Testamento sobre as curas seguem um padrão literário que confirma a importância destes na Igreja primitiva: determinados gestos (como a imposição das mãos, o toque, a saliva), a imediatez da cura efetuada e as provas de cura (espanto do povo, ida aos sacerdotes, testemunho dos pais e familiares) contextualizam os milagres curativos de Jesus.


Outro fator era a necessidade da fé e a potência salvífica da palavra de Jesus. As curas eram um sinal do início da era messiânica e demonstram que a salvação não se limita à esfera puramente espiritual, mas que Deus deseja salvar o homem corpo e alma. Palavra e fé confirmam a libertação integral do ser humano. As curas das doenças corpóreas eram sinal de reabilitação do homem como ser criado. Por isso, as curas não se limitam a exorcismos, à libertação de doenças ligadas à possessão demoníaca, mas a todos os limites físicos (inclusive o limite da morte física).

Seguindo os passos de Jesus, a Igreja primitiva continua a curar os enfermos. Segundo Mc 3,14; 6,7, o próprio Jesus conferiu a seus apóstolos o poder de curar os doentes, poder conferido não somente aos doze apóstolos, mas também a Paulo, Barnabé e outros. A cura se dá no “nome de Jesus”, na fé no “nome de Jesus” e não por força própria dos apóstolos. Os At 3,12 e 9,34 revelam que é Jesus Cristo quem sempre cura.

Os vv. 17-18 apresentam outro exemplo do Antigo Testamento, o profeta Elias, para demonstrar a eficácia da oração. Elias é considerado o precursor do Messias, sendo ele identificado com João Batista. Tiago o apresenta como “um homem como nós”, cuja confiança em Deus era plena. O texto recorda que Elias teria anunciado a seca e o retorno da chuva com precisão. Tal certeza se daria por sua confiança e ligação plena com Deus. O fenômeno da seca foi atribuído à potência de sua oração. Ao autor interessa que seja “um homem como nós”, ou seja, Elias não era um ser celeste, dotado de poderes sobrenaturais. Apenas com a potência de sua oração ele foi capaz de fechar e abrir os céus, isto é, Deus ouviu sua oração e se manifestou através da oração de Elias.


A última exortação tem como intenção recuperar os irmãos que erraram na fé e abandonaram o caminho da Verdade. Tiago deseja assim concluir sua epístola, voltando sua palavra aos heréticos. O texto não apresenta uma orientação aos cristãos de se manterem atentos contra os hereges, mas um convite a não percorrerem “a via dos erros”. Deseja reconduzir à verdade aqueles que se distanciaram. Estar longe da verdade, para Tiago, é seguir uma falsa doutrina. Mostra que quem converte um desses irmãos caídos no erro, vai salvá-lo, salvará sua alma da morte eterna. A alma a ser salva é a do irmão distante, mas também é enriquecido na graça quem consegue trazer um irmão de volta ao caminho da vida. Tiago abre a perspectiva missionária a todos os cristãos.

No próximo artigo, iniciaremos um novo estudo sobre as Epístolas de Pedro, um tesouro bíblico para todos nós, batizados.


Padre Marcelo Lázaro

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