Castigo ou salvação?

Atualizado: Mai 10

Olá!

O Tempo Pascal se estenderá por boa parte deste mês de maio.

Por conta da precedência das celebrações próprias deste tempo – o mais importante do ano litúrgico, algumas memórias podem “passar batido”, ainda mais enquanto perdurar o necessário isolamento social em defesa da vida ameaçada por essa pandemia.

Uma dessas memórias é a de Nossa Senhora de Fátima.

Trata-se de uma grande devoção, que começou no local chamado Cova da Iria, em Fátima, Portugal, onde logo foi construída a pequena Capela das Aparições e mais tarde deu origem, em seus arredores, ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, atualmente um dos maiores santuários marianos do mundo. No Brasil, impulsionada pela forte presença portuguesa, também é grande essa devoção, tanto que, na cidade do Rio de Janeiro, há uma réplica da Capela das Aparições.



Provavelmente você já conhece, com maior ou menor profundidade, a história das aparições de Nossa Senhora àquelas três crianças, três “pastorinhos”, bem como o segredo confiado a elas e depois parcialmente revelado. Na primeira parte do segredo, Nossa Senhora falou dos castigos impostos por Deus por nossos pecados: guerra, fome, perseguição religiosa, dentre outros.

Há entre nós quem veja essa pandemia que hoje assola o mundo como um castigo divino em consequência de nosso afastamento de Deus e de sua Palavra.

Estou escrevendo este breve texto no dia em que a liturgia nos apresenta o Cristo como Bom Pastor, aquele que não quer que nenhuma de suas ovelhas se perca e que diz: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; elas escutarão minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,17).

Então, como conciliar o anúncio de castigos com a promessa de resgatar todas as “ovelhas”, ou seja, a salvação de todos nós, inclusive aqueles que ainda não deram ouvidos à Palavra de Deus?

A própria Senhora de Fátima deu-nos uma pista, na segunda parte do segredo, revelando meios para evitar esses castigos: a devoção ao Imaculado Coração de Maria através da oração do Terço, bem como a participação nos sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão.


O castigo não faz parte do plano de Deus, não é sua vontade, como costumamos ouvir quando algum mal nos atinge. Pense no seguinte exemplo: Quando uma localidade é atingida por uma enchente e várias famílias carentes são despojadas do pouco que têm, isso é vontade de Deus? Ou será que a ação (ou omissão) humana é que teria dado causa a tal “castigo”?

Deus quer nossa salvação, que Ele nos concede por sua graça, pois também somos seus filhos amados. Entretanto, devemos corresponder a esse amor, de maneira concreta. Quando rezo ou recebo os sacramentos, a relação que se estabelece não deve limitar-se a Deus e eu; ela tem consequências que alcançam outras pessoas, irmãos e irmãs que eu talvez nem conheça.

Que a memória de Nossa Senhora de Fátima, a 13 de maio, fortaleça nossas práticas no caminho da salvação, de nossa santidade.


Luiz Villela

“in viam pacis”

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