Centenário de Dom Benedito


Ainda celebramos o Centenário de Dom Benedito de Ulhôa Vieira, e aqui no Metropolitano teremos um espaço especial para você conhecer os artigos e vídeos que contam detalhes, histórias e fatos sobre a vida do Arcebispo Emérito, escritos e/ou narrados por sacerdotes, leigos, leigas e familiares. Você tem acesso à todo este material no hotsite do Centenário https://www.centenariodombenedito.com.br/ ou pelas redes sociais da Arquidiocese de Uberaba!

Hoje temos o artigo escrito por Padre Gilberto Carlos de Araújo, que carinhosamente chama Dom Benedito de “pai”.


Lembranças do “Pai” Benedito de Ulhôa Vieira

Escrever sobre Dom Benedito de Ulhôa Vieira é uma tarefa complicada. Não é possível, em poucas linhas, expressar todos os tesouros que este grande homem “Pai” possuía guardados na arca da sua vida. Resta-me fazer memória de alguns momentos inesquecíveis que tive a alegria de partilhar com Dom Benedito. São muitos. Mas vou deter-me nos mais significativos.

A preocupação dele com o seminário, sementeira de vocações, e especialmente com os seminaristas era de contagiar. Nas visitas mensais ao seminário atendia cada um individualmente, sempre dizendo “abre o seu coração para mim”, e anotando um número que certamente se referia ao vocacionado que atendia. Nunca soubemos como era esse esquema, mas guardamos, todos, as inúmeras vezes que perguntava “você precisa de alguma coisa? Dinheiro, sapato, roupa, remédio? E quando percebia que algum seminarista necessitava, mesmo sem tê-lo dito, ele abria a carteira e, tirando algum dinheiro dizia: “ fião, pra você comprar sorvete”. “Fião” era a forma carinhosa de nos ter todos como filhos. Os que compreendiam a doçura da expressão “Fião”, respondia, com um não menos doce “Pai”.


Outra imagem bonita que guardo é da sua referência pastoral. Nenhuma comunidade podia ficar sem atendimento. Certa ocasião, em que um determinado padre havia deixado a paróquia da noite para o dia, eu já diácono, quando voltava de uma viagem, ainda de madrugada, encontrei embaixo da porta do meu quarto um bilhete. “espere por mim as 7hs da manhã em frente ao seminário”. Quando, neste horário, encontrei Dom Benedito, ele já havia definido que eu substituiria o referido padre. A comunidade não podia esperar.

As homilias eram momentos de grande aprendizado. Não só pela exposição teológica, mas pela clareza, frases de impacto, gestos coordenados, voz suave e doce, mas cortante quando necessária. Os “três pontos” são a marca registrada do esquema de suas homilias. Não esquecendo a elegância da oratória, cheia de poesia e de palavras que muitas vezes fugiam à nossa compreensão. Quem entenderia “miasmas de pocilga”, “canhenho”, se não consultasse o dicionário? Assim, assimilamos um pouco das suas muitas características, variadas e peculiares.


Tive a oportunidade de estar com ele em muitas viagens. Umas para retiro espiritual, outras a passeio e lazer. Em todas elas, o “Pai” estava presente, mas estava o irmão de presbitério, o amigo mais experiente que rezava, partilhava a vida, as alegrias e os sofrimentos.

Procuro reproduzir em minha vida sacerdotal o testamento cristão e espiritual do “Pai” Benedito. Mesmo não redigido em canhenho (caderno de anotações) está presente em nossa memória e escrito no coração dos que tiveram a oportunidade de saborear de sua presença e palavras. Bendito o que vem em nome do Senhor (Sl 118,26).


Pe. Gilberto Carlos de Araujo.


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