Como o olhar para Maria, a Senhora das Dores, nos enche de esperança?


Estava eu esperando por algo numa calçada diante de uma igreja em cuja torre principal se via uma grande imagem de Nossa Senhora das Dores. Um jovem casal vinha subindo a rua e não pôde deixar de reparar a imponente imagem de Maria, trespassada por sete espadas e o rosto de dor. A moça logo exclamou: “Que coisa de mau gosto, esse povo que gosta do sofrimento!”. Diante da aparente incompreensão da jovem, logo me lembrei de Paulo que, referindo-se à Cruz, anuncia: “escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1Cor 1,23). O sofrimento de Maria, assim como a Cruz de seu filho podem parecer aos pouco informados apenas escândalo, loucura e mau gosto. Mas àqueles que temperam seus sentidos e sua razão com o sal da fé, o rosto cheio de dor da Virgem e o símbolo de tortura da morte de Jesus são mais que isso: são fontes de esperança! E como estamos precisados de esperança...

O sofrimento e a dor são partes inevitáveis da vida. Todos – cada um a seu modo – conhecem suas próprias dores. O que muda de pessoa para pessoa é a reação ante a própria dor. Alguns se entregam a ela e dificilmente se permitem sair; outros preferem fazer-se de fortes e sufocar com esforço inútil dores que não podem ser contidas; existem ainda aqueles que se entregam ao desespero e negam-se a olhar para a frente e sonhar com um futuro diferente.


Olhar para Maria nos revela caminhos para enfrentarmos nossas próprias dores: quando ela se dá conta que havia perdido o Menino Jesus (Lc 2,48-49), não se deixa paralisar pela dor, mas age! Imediatamente se coloca a sua procura. Quando recebe o corpo morto de seu filho amado (Mt 27,59-61), não esconde nem disfarça sua dor, mas a vive por completo – e a sofre em toda sua humanidade frágil. A imagem mais forte de Maria se dá quando diz o texto bíblico que, diante da Cruz, ela chorava, mas o fazia de pé (Jo 19,25)! O ficar de pé significa que ela não se entregou ao desespero; ensina que, por mais que a dor fosse intraduzível, aquela mulher dava sentido a essa dor e conseguia conciliar seu sofrimento à esperança de alguém que insiste em ficar de pé!

Os desafios que vivemos desde o último ano nos deixam confusos e com medo. As pessoas que perdemos são causa de dor e lágrimas. O distanciamento físico reprime em nós nossa própria humanidade carente de beijos, abraços e carícias. E a angústia de sabermos que centenas de milhares de brasileiros, pais e mães, avôs e avós, maridos e esposas, amigos e amigas, vidas criadas por Deus foram perdidas nos rasgam um vazio irreparável.


Diante de tudo isso, o que nos ensina Maria, mater dolorosa? Primeiro: não fiquemos paralisados, mas assumamos nosso compromisso profético de defender e valorizar cada vida e denunciar com compromisso cristão desde alguém que se nega à prática trivial de usar máscaras também aquele que se negou a comprar vacinas e salvar vidas em tempo. Segundo: não ignoremos nem disfarcemos nossas dores e fragilidades. Antes, que cada lágrima possa ser chorada, cada grito possa ser ouvido e cada gemido possa ser consolado. Pior do que quem mascara a própria dor é aquele que é indiferente à dor dos outros. Que o bom Deus não nos deixe faltar a sensibilidade para sofrermos com os que sofrem (Rm 12,15). Finalmente: enfrentemos a dor de pé – com a coragem de quem se sabe acompanhado da graça de Deus e da esperança de que “quem semeia entre lágrimas, ceifará com alegria” (Sl 126). Como diria o poeta, “eles passarão, eu passarinho”!


Seminarista Vitor Lacerda

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