Desejo de Superação

Atualizado: Ago 9


Os Jogos Olímpicos manifestam o desejo do ser humano de superação. A cada edição, os atletas se esforçam por superar os recordes já atingidos e merecer a tão sonhada medalha olímpica, alçando o posto mais alto do pódio dos sonhos. Ver a bandeira nacional se erguendo ao som do hino é a recompensa maior do atleta. Se tal sonho não é possível ser realizado, vale ao menos a tentativa. Participar dos Jogos Olímpicos já é uma vitória que não tem preço. A cada prova, a cada modalidade somos surpreendidos com nova emoção.

Por traz de cada esforço demonstrado, há uma história edificante de superação. Um dos nadadores brasileiros, quando criança, num ligeiro descuido de seus pais, caiu na piscina e quase se afogou. Os pais sentiram a necessidade de matriculá-lo numa escola de natação. A partir daí, aquela criança tomou gosto pelas piscinas e hoje é dos recordistas mundiais. Outra jovem, também na infância, foi orientada a procurar a natação na tentativa de resolver problemas asmáticos. Hoje, ela é nadadora profissional, também recordista. Quantas pessoas de origem simples, em comunidades de periferias, brilham nos Jogos Olímpicos e se tornam orgulho para a nação! Também elas são portadoras de lindas e edificantes histórias de superação.


Silvia Tancredi publicou em “Mundo Educação”, um canal do UOL, um texto que remete às origens desses jogos. De acordo com a mitologia grega, o herói Hércules criou as Olimpíadas por volta de 2.500 a.C., na Grécia antiga, para homenagear o pai dele, Zeus. Contudo, os primeiros registros históricos das Olimpíadas são de 776 a.C., quando os atletas vencedores começaram a ter seus nomes registrados. Nessa época, os reis de Ilia, de Esparta e de Archea Pissa aliaram-se para que, durante os jogos, houvesse trégua sagrada em toda a Grécia. A aliança foi realizada no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Esta é a origem do termo “Olimpíadas”. Em homenagem aos deuses, os atletas se esmeravam e até as guerras eram suspensas, marcando um momento histórico importante.

Após longo tempo com os jogos interrompidos, em razão da queda do mundo grego, os Jogos Olímpicos retornaram na Era Moderna. Atenas foi a cidade que sediou a primeira olimpíada da Era Moderna, em abril de 1896, com delegações de 14 países. Ao todo, 241 atletas competiram em nove modalidades. Desde essa época, os Jogos Olímpicos passaram a ser realizados de quatro em quatro anos, à exceção de 1914 e 1918 e 1939 e 1945, quando ocorreram a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, respectivamente. As Olímpiadas de 2016 foram realizadas pela primeira vez no Brasil, tendo o Rio de Janeiro como cidade- sede. Os jogos deveriam ter acontecido no ano passado, mas em razão da pandemia foram adiados para este ano, com sede na cidade de Tóquio, no Japão.


O Apóstolo Paulo viveu vários anos de sua missão no mundo grego e se serviu dessa referência cultural para evangelizar: “Acaso não sabeis que, no estádio, todos correm, mas um só ganha o prêmio? Correi de tal maneira que conquisteis o prêmio. Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma incorruptível” (1Cor 9,24-25; cf. também 2Tim 4,7; Fl 3,14). Dessa forma, somos todos atletas que correm em busca de um prêmio. Não se trata de uma coroa de louros ou de uma medalha de metal fundido. Corremos em busca de algo bem mais precioso, a felicidade, entendida como a humanização de nossa humanidade, a acolhida do Reino de Deus que já se encontra no meio de nós (Lc 17,21). Na verdade, corremos em busca de algo que já está em nosso meio, dentro de nós.

Nessa corrida que empreendemos não há competidores concorrentes. Caminhamos solidários, ajudando-nos mutuamente para transpormos nossos limites. Eis aí uma nova superação que precisamos empreender: não enxergar o outro como concorrente nesta corrida que é a existência humana. O outro é aquele que me complementa. Nesse sentido, somos chamados a nos deixarmos ser atingidos pelo rosto do outro que nos interpela, para cuidar do outro que solicita nossa atenção e nossos préstimos. Na complementariedade, atingimos nossa humanização.


Tal processo de humanização nos leva a atingir a plenitude da vida. Tocamos aqui na perspectiva da espiritualidade. Abertos à graça do Espírito Santo, corramos com perseverança para esta meta final de nossa existência. A cada dia, temos a oportunidade de superar nossas imperfeições. Ao contemplar nossa vida pregressa, verificamos quanto crescemos humana e espiritualmente. Cada existência humana é uma história de superação. Ainda que façamos belas superações em nossa vida, o palco da história não é suficiente para atingirmos essa plenitude. Algumas pessoas chegaram muito próximas disso, através da santidade de vida. Acreditamos na vida eterna, junto de Deus. Nesta vida, estamos em treinamento, em aquecimento, para atingirmos a plenitude da vida, a plena humanização da humanidade.


Padre Geraldo Maia

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