Dimensões do diálogo

O mundo seria muito melhor se o diálogo verdadeiro fosse valorizado em todas as suas possibilidades. A nova cultura apresenta duas realidades bem distintas de ação das pessoas: uma dos que vivem num mundo privado, numa indiferença egoísta; e outros que agem com violência destrutiva, com protestos violentos. Tudo pode ser diferente na prática de um autêntico e aberto diálogo.


Um país cresce quando suas autoridades passam pelo caminho de honesta negociação, por um diálogo sadio e frutuoso. Isso joga por terra todo tipo de arbitrariedade no exercício do poder. Não é diálogo virtual, porque nas redes sociais acontecem monólogos e imposição de interesses em forte tom e agressividade. Nesse nível aparecem ideias contraditórias e com alto teor de oportunismo.


A mídia dificulta muito o diálogo e privilegia as próprias ideias, os interesses e opções individuais, e com um infeliz requinte de denegrir, de uma forma aberta e desrespeitosa, a imagem do adversário. Nessas circunstâncias, com palavras totalmente vazias da verdade, ninguém está preocupado com o bem comum, e sim em obter vantagens ou impor seu próprio modo de pensar.


O verdadeiro diálogo supõe respeito pelo ponto de vista do outro, porque toda pessoa tem algo para dar, principalmente quando é coerente com o que pensa e apresenta valores e convicções que ajudam a sociedade. É muito importante a capacidade de entender o sentido do que o outro diz para que o debate seja produtivo, mesmo que haja diferenças no modo de pensar de cada um no diálogo.


Os meios da comunicação, diante do grande progresso sem precedentes dos últimos tempos, podem ajudar-nos a estar mais próximos uns dos outros. Consegue ampliar os nossos conceitos em relação à dimensão da solidariedade e de compromissos com a vida. Temos que valorizar a internet como dom de Deus, mas seu uso precisa levar à busca sincera de integridade da verdade.


O caminho do relativismo, das conveniências subjetivas e das imposições arbitrárias, não ajuda na reflexão e na sabedoria que levam ao princípio da verdade objetiva sobre a dignidade da pessoa humana. Existe uma manipulação, uma deformação e um claro ocultamento da verdade nas diversas esferas públicas e privadas. Tudo pode ser fruto de diálogo onde triunfa a lógica da força.


Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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