Dízimo: gratidão a Deus e compromisso de amor à Igreja

É muito importante para nós, como cristãos, refletirmos sobre o que verdadeiramente significa o dízimo dentro de nossas comunidades e na Igreja, Corpo de Cristo. Primeiramente, a prática do dízimo deve ser compreendida como um gesto de gratidão ao Deus Criador de todas as coisas (Gn 2). O Senhor Deus, Pai de tudo e de todos, nas primícias da Criação, trabalhou por seis dias (algo biblicamente simbólico na interpretação bíblica judaico-cristã; não em nossa compreensão cronológica de um dia tendo 24 horas). O trabalho de Deus resultou em tudo isso que possuímos hoje: o mundo, o universo. E dessa obra de Deus nós, seres humanos, retiramos o nosso sustento e vivemos a vida, maior dádiva Dele. Em outras palavras, tudo o que temos e conquistamos, mesmo com nosso esforço próprio, pertence primeiramente a Deus, porque nós mesmos pertencemos a Ele, nosso Pai Criador. E dentro dessa linha de pensamento, o dízimo se enquadra naquilo que podemos retribuir simbolicamente a Deus. É claro que Deus não precisa de nada materialmente, porque Ele é Deus e tudo já pertence a Ele. Contudo, esse gesto diz muito de nós como seres gratos por tudo o que temos Dele. Por isso que na oração do dizimista deixamos bem claro que ‘‘o dízimo não é esmola, porque Deus não precisa’’, mas uma ação em que o nosso coração que diz: Senhor, sei que não precisas do que te dou pela Igreja, mas quero que saibas que reconheço que tudo o que tenho vem de Ti.



O ato do dízimo em si diz mais do nosso coração do que da quantia ou doação que depositamos na Igreja, Corpo de Cristo. Esta é a razão pela qual a Igreja, como continuadora da obra de Cristo, o Deus Encarnado, não estabelece um valor específico para o dízimo. Temos alguns exemplos do Antigo Testamento que deixavam bem claro os famosos 10% de tudo o que se ganhava, contudo na Nova Aliança, firmada pelo sangue do Cordeiro de Deus, tudo foi renovado pela ação de Jesus. O eterno e Novo Testamento nos mostra a comunhão de bens entre os cristãos, de modo a nos falar que todos contribuem da forma que podem (At 2,37-47). O importante é contribuir para o bem comum nas comunidades, pois assim, ao mesmo tempo que reconhecemos que tudo vem do Pai, nos colocamos solícitos pelas necessidades de quem mais precisa dentro da Igreja. Este é o compromisso de todo cristão consciente de sua fé. Fé que não se basta na simples doação, mas preocupação, afeto e atenção para com os irmãos que precisam na Igreja e hoje em dia, até fora dela. Muitos são os beneficiados pelo gesto do dízimo, enquanto resultado de uma comunidade comprometida: famílias que passam necessidades básicas alimentares são um exemplo. Dízimo é gesto de amor a Deus e ao próximo. A Deus enquanto O amamos por ter nos dado tudo, e ao próximo enquanto nos comprometemos com os outros que não tiveram as mesmas oportunidades de crescimento que nós, dentro das injustiças e desigualdades do mundo que caiu no pecado. Diante disso, é muito importante que criemos essa dupla consciência do dízimo: enquanto demonstramos gratidão somos amorosos (no verdadeiro sentido do amor como doação, tendo Jesus como modelo) para com Deus e os nossos irmãos. Peçamos sempre a Deus a clara e livre consciência dessa ação tão bonita que é o dízimo, e a intercessão de Maria Santíssima, a Senhora da Abadia, e São José para recebermos as graças necessárias para sermos dizimistas conscientes. Deus nos abençoe!


Diácono Pablo Borges

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