Dois Sacramentos

Atualizado: Jul 2


Olá!

Em junho celebramos a solenidade de Corpus Christi, que nos remete ao dia em que Jesus instituiu o que a Igreja posteriormente reconheceu como o sacramento da Eucaristia, e continuou celebrando todos os dias em sua memória, como Ele ordenou a seus primeiros discípulos. Você já teve a oportunidade de ler e refletir sobre essa celebração universal, a partir de belos textos publicados aqui e em outros meios de comunicação católicos. Não vou me estender sobre o mesmo assunto.

Na verdade, quero conversar com você sobre outro sacramento: o Matrimônio. Nele, Deus se faz presente para santificar a aliança que, a exemplo da Eucaristia, transubstancia dois corpos em uma expressão única de amor.


De fato, o matrimônio não deve ser fundado na expectativa de transformação do homem ou da mulher que se unem – talvez esteja aí a raiz de inúmeros lares desfeitos. Na verdade, quando esposo e esposa deixam agir em suas vidas a graça recebida do Espírito Santo, seus caminhos se tornam um só caminho. Mesmo sendo diferentes, no pensar e até mesmo no agir, têm os mesmos objetivos. É a confirmação da unidade na diversidade. É uma experiência que nos aproxima da comunhão perfeita que é a Santíssima Trindade.

Assim como aquela Santa Ceia preparou os discípulos para o sacrifício do Cristo, o sacramento do Matrimônio prepara o casal para uma vida de sacrifícios, também. Como diz o provérbio popular: toda rosa tem espinhos. Nestes tempos de pandemia, passamos a ter mais consciência e dar mais valor à igreja doméstica que, tanto quanto a igreja dedicada, é templo da Palavra, lugar do diálogo, diálogo com Deus, mas também diálogo entre esposo e esposa, entre pais e filhos.


Ah, os filhos! Assim como a Eucaristia nos alimenta para nossa missão no mundo, na sociedade, o Matrimônio conduz a uma missão particular no “pequeno mundo” do casal. Missão que mais uma vez leva à experiência com a diversidade, porém com maior dificuldade, especialmente quando se trata de transmissão da fé. Como nos alerta o Documento de Aparecida: “Nossas tradições culturais já não se transmitem de uma geração à outra com a mesma fluidez que no passado” (n.39). Mas isso é assunto pra outra conversa.

Enfim, além de serem sinais da presença de Jesus em nossas vidas, como todo sacramento, esses dois têm várias semelhanças, como vimos. Mas quero ressaltar que, apesar de marcarmos datas para celebrar esses sacramentos de um modo especial – Corpus Christi e aniversário de matrimônio – devemos celebrá-los todos os dias. A presença de Jesus em nossas vidas é real, seja na Eucaristia, seja no Matrimônio cristão. E a cada dia essa presença se renova – essa é a diferença entre recordar e fazer memória.

Este breve texto, “unindo” dois sacramentos, foi inspirado e escrito no mesmo dia (do mês de junho) em que minha esposa e eu recebemos o sacramento do Matrimônio, trinta e sete anos atrás, no decorrer da Santa Missa. E eu quis compartilhar com você nossa imensa alegria.


Luiz Villela

“in viam pacis”

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