Exílio e liberdade

Sentimos que os contrários se tocam na nova cultura. Não é fácil encarar o que está acontecendo no Brasil, no meio de tantas situações, que criam insatisfação nos cidadãos, e certa “revolta” em relação às práticas daqueles que deveriam defender a liberdade das pessoas. Parece que vivemos totalmente exilados, com a liberdade ferida e cada vez mais pressionados e condenados à prisão.

O povo brasileiro não pode perder a esperança diante dos desafios atuais, porque isso desestimula a força de trabalho e de produtividade. Foi o que aconteceu com o povo hebreu quando exilado na Babilônia, que viveu longo tempo no “fundo do poço” e sem forças para agir. Sua saída dessa situação aconteceu quando conseguiu recuperar a liberdade até então perdida.

O dom do Espírito Santo é força de libertação, porque revigora o coração deprimido pelos condicionamentos sociais e econômicos. Quando Deus habita no coração das pessoas, as situações de desânimo e de morte temam outros rumos. Elas conseguem se refazer, se transformam, se fortalecem e passam a lutar pela construção de uma realidade de vida nova.

Diante do momento político brasileiro e da preocupação com as reformas no cenário nacional, parece que o povo vive numa profunda e generalizada crise. Basta dizer da insatisfação em relação à atuação de muitos dos nossos atuais políticos, porque não estão preocupados com as necessidades dos mais pobres e desamparados. Apesar do direito de manifestação, reina uma liberdade tolhida.

O erro aprisiona a pessoa. Ninguém pode viver na liberdade e na escravidão ao mesmo tempo. Todos nós fomos criados para viver na liberdade (cf. Rm 5,1). Muitas das obras realizadas hoje são motivadas pelo contexto capitalista, que ludibria nossa consciência e nos leva a ser desonestos. Esse não é o melhor caminho para a conquista de uma identidade totalmente livre e feliz.

Os brasileiros têm encontrado muitas barreiras que impedem sua plena realização. Para as pessoas de fé, o conforto está em Jesus Cristo, porque veem nele Alguém que é capaz de lhes dar dignidade e liberdade. Os mecanismos humanos, quando mal conduzidos, amarram as pessoas deixando-as em situação de opressão e de exílio, incapazes para realizar suas potencialidades.

Dom Paulo Mendes Peixoto Arcebispo de Uberaba.

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