Fiel virtual ou real?

Atualizado: Ago 9


Olá!

Temos tido muitas experiências “novas” durante esta pandemia, não é mesmo?

Veja, por exemplo, o uso de máscara. Num primeiro momento tivemos dificuldades, não apenas de adaptação, mas também para aquisição. Depois, virou objeto de discórdia, quase um símbolo de posicionamento político, favorável ou contrário às atitudes de governantes. Agora, há quem diga que sentirá falta dela, quando se tornar desnecessária, o que muito espero.

Algo parecido pode estar acontecendo em relação à Santa Missa. Quando veio a suspensão das celebrações com presença do povo, medida de proteção à vida, algumas comunidades paroquiais tiveram que se reinventar, adaptando-se a um modo de celebrar a que não estavam acostumadas, tendo que adquirir não apenas equipamentos, mas sobretudo conhecimento para lidar com a tecnologia envolvida. Superada a turbulência inicial, mas persistindo o quadro de agravamento da pandemia, surgiram reações contrárias à manutenção das medidas adotadas, enquanto outros persistiam numa posição mais cautelosa. Agora, corremos o risco de alguns fiéis se acostumarem à celebração virtual, preferindo-a, apesar da vacinação e de todas as precauções tomadas por nossos sacerdotes.

Estou escrevendo este breve texto no domingo em que a liturgia eucarística convida à reflexão sobre o gesto de Jesus multiplicando os pães para saciar a fome da multidão que acolhia seus ensinamentos. E na bela homilia do pároco de nossa comunidade, ele nos fez entender que o gesto de Jesus não foi um passe de mágica e visou muito mais do que saciar uma necessidade fisiológica daquelas pessoas. Foi um gesto de partilha. Não foi apenas Ele que agiu, mas todos que ali estavam, deixando de ser multidão para ser comunidade. Essa passagem bíblica mostra a importância de crermos que nossas ações, por menores que sejam, podem ser transformadoras da realidade.


O que isso tem a ver com a questão das transmissões?

Eu entendo que as transmissões da Santa Missa (e outras celebrações paralitúrgicas) podem ser muito úteis para que os membros da comunidade se mantenham “ligados” – perdoem o trocadilho. Quero dizer que elas servem para comunidades já formadas que, por uma circunstância passageira, enfrentam dificuldades para se reunir como de costume. Entretanto, essa solução paliativa, ainda que perdure, não tem a força da Eucaristia para formar comunidade. A multiplicação dos pães iniciada por Jesus aconteceu entre aqueles que estavam presentes em torno dele; fisicamente. É claro que a solidariedade também pode ser manifestada à distância, na partilha de bens materiais. Mas ser comunidade vai além disso.

Não basta assistir à missa, é preciso participar da missa, da missão, sentir o calor da presença de seu irmão em Cristo e ajudar a saciar sua fome. Não seja mero telespectador, seja um fiel real!


Luiz Villela

“in viam pacis”

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