Finados: a festa da Igreja padecente!


Nossa vida na comunhão em Deus nos dispõe a estar em comunhão plena com os irmãos vivos e mortos. Esta é uma das razões que nos leva a ter um dia dedicado especialmente aos falecidos, o dia 2 de novembro. No dia 1º de novembro, rememoramos a corte celeste, ou seja, aqueles que foram proclamados santos pela Igreja e que participam da glória do Céu. No dia 2, celebramos a memória dos fiéis defuntos, popularmente conhecido como dia de Finados. Remonta ao ano de 998 e foi fixada a data posterior à comemoração do dia de Todos os Santos pelo quarto abade de Cluny, Santo Odilon, que instruía os monges a rezarem em intenção dos fiéis defuntos. Somente no ano de 1331 foi incluído de forma definitiva no calendário litúrgico.


Um dos fundamentos bíblicos que baseiam essa comemoração está no segundo livro de Macabeus que narra que Judas Macabeu orientou que se fossem oferecidos sacrifícios expiatórios pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seus pecados (cf. 2Mc 12, 46). Nós, à luz do Novo Testamento, oferecemos o sacrifício definitivo de Cristo na Cruz, capaz de redimir todos os pecados daqueles que se encontram à espera do ingresso no céu. A Liturgia Eucarística nos permite contemplar o direcionamento das orações pela Igreja triunfante, pela Igreja militante e pela Igreja padecente. O sacerdote, unido a todo o povo de Deus (a Igreja militante), suplica todos os dias em favor da Igreja que padece em estágio purificatório em vias de alcançar a glória dos céus, junto daqueles que já contemplam a face de Deus, na Igreja celeste.

E por que celebrar Finados? Com a celebração desse dia, somos convidados a refletir sobre nossa vida, na firme esperança de continuarmos nossa missão neste mundo. Confiamos que não permaneceremos nas angústias, dores e sofrimentos desta terra, mas gozaremos as alegrias e glórias dos céus. Todavia, enquanto estamos neste mundo, precisamos zelar por nossa conversão pela escuta da Palavra de Deus e proclamação de seu Reino de Justiça e Paz. Nosso céu começa aqui na terra. Então, nossa espiritualidade nos coloca em comunhão com Cristo e com Cristo estamos unidos na firme cooperação na obra da salvação.


Assim, compreendemos que nos unimos aos fiéis defuntos num gesto de solidariedade e caridade pela oração, pois nossa comunhão em Cristo nos faz mutuamente beneficiados. Rezamos pelos que se encontram no purgatório, a fim de que alcancem a graça do céu e os que já estão na graça dos céus intercedem por nós que estamos a caminho do encontro feliz com Deus. Celebrar o dia dos fiéis defuntos é estar em plena unidade da Igreja militante, padecente e triunfante. E todos nós seremos conduzidos diante da misericórdia de Deus. Por fim, damos um fiel testemunho de nossa fé no Ressuscitado que nos libertou da morte para a glória eterna, isto é, para a vida plena em Deus.

Padre Vanderlei Izaumi

Seminarista César Augusto

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