Frei Gabriel de Frazzanò, Frade Menor Capuchinho, “O irmão de todos”

Atualizado: 14 de Dez de 2020

Caro leitor: paz e bem!


A partir de agora, teremos um encontro a cada dois meses. Somos Frades Capuchinhos, membros da Província dos Capuchinhos de Minas Gerais que, juntamente com a Arquidiocese de Uberaba, iniciamos os trabalhos para abrir o processo de beatificação e canonização de Frei Gabriel de Frazzanò, OFMCap.


Neste espaço, levaremos aos leitores um pouco da vida desse Capuchinho que procurou viver intensamente os Valores Evangélicos por ele professados. Procuraremos apresentar testemunhos de quem o conheceu e informaremos como caminha o processo de beatificação e canonização. Lembramos a todos que o caminho é longo e que nós estamos ainda dando os primeiros passos.


Isto posto, apresentamos os dados biográficos de Frei Gabriel de Frazzanò e falaremos dele a partir das poucas fontes que temos.


O nome dado por seus pais e com o qual foi batizado é Antonio Machi. Era de uma família simples e trabalhadora da pequena comuna de Frazzanò, que vivia as tradições sicilianas, com seu dialeto difícil e seus costumes. Nasceu no dia 27 de fevereiro de 1907. Seu pai se chamava Salvatore Machi e sua mãe, Maria Papa. Ainda muito criança ficou órfão de mãe. O pai ficou com a tarefa de cuidar dos filhos e do trabalho. Diante das dificuldades, o pequeno Antonio foi colocado num orfanato e lá viveu a partir dos sete anos.

No orfanato, a vida era organizada de maneira tradicional e disciplinada. O horário era distribuído de modo que as crianças estudassem e tivessem responsabilidades em algumas tarefas do dia a dia. O jovem Antonio Machi já começava a deixar transparecer sua disposição para o trabalho e para a religiosidade. Esta será, posteriormente, a marca com que Frei Gabriel será conhecido: o frade da oração e do trabalho. Nesse orfanato fez a catequese, preparando-se para os Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia. Depois que recebeu a Eucaristia pela primeira vez, sempre se esforçou para dela participar todos os dias. Tudo indica que viver neste orfanato ajudou a formar seu caráter, seja pela experiência com tantos órfãos, seja pela disciplina que era imposta.


O chamado de Deus chega de muitas maneiras em nossas vidas. A rotina no orfanato era organizada de modo a preparar as crianças para a vida; assim tinham tempo para a oração, o estudo e o trabalho. Dessa forma, Antonio Machi foi crescendo, forjando sua personalidade, num caminho de serviço e de disponibilidade; sempre atento, sempre disponível. Por ali sempre passava um Frade Capuchinho esmoler (o frade que saía pedindo esmola para a manutenção do Convento e daqueles jovens que começavam a caminhada formativa para a vida Franciscana Capuchinha). O frade esmoler não só pedia, mas também ajudava os necessitados. O adolescente Antonio Machi muitas vezes viu os frades esmoleres em sua missão, no encontro com as famílias, no serviço, no contato com as pessoas. Desse modo, pedir esmolas se tornava uma maneira de fazer um apostolado, de levar o Evangelho às pessoas, de ouvir seus problemas e de aconselhar. Tudo isso se fazia presente na pessoa do esmoler. Vendo e aos poucos entendendo a vida e a missão desses frades foi que Antonio Machi despertou para essa vida. Depois de ter refletido e rezado bastante, pôde dizer como Francisco de Assis: “É isso que eu quero, é isso que eu procuro, é isso que eu desejo fazer com todo meu coração” (I Celano 22, 3).


Buscou, então, informações com os Frades Capuchinhos e já bem certo de que era essa a vida que queria para si, seguir os passos de São Francisco de Assis como Frade Menor, pediu para ser admitido na Ordem Capuchinha. O Guardião acolheu seu pedido e recebeu aquele adolescente resoluto e humilde. O que atraía Antonio Machi, podemos assim dizer, era a abnegação daqueles frades. Era isso que ele via neles, homens que tinham deixado tudo, renunciado a tudo para levar uma vida de austeridade, de pobreza, de serviço aos pobres e de total confiança em Deus. Para ele, a palavra de Jesus, no Evangelho de Mateus, é bem clara: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la, mas quem perde sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder sua vida?” (Mt 16, 24-26).


Com quinze anos, Antonio Machi foi admitido como Postulante Capuchinho no Convento adjunto ao Santuário de Nossa Senhora de Gibilmana. Um adolescente, era esse o costume da época, com essa idade já estava certo do que queria para sua vida. Esse período de formação, o Postulado, é justamente para isso: o jovem que postula, que quer ser, que aspira à vida religiosa, conhecendo mais de perto como é a vida daqueles que o recebem, mas também estes vão conhecendo o jovem, suas aspirações, detectando se sua busca está embasada num propósito firme de viver o Evangelho, de ser todo de Deus. Foi um tempo de mútuo conhecimento e uma experiência marcante e determinante para o jovem Antonio.


O lugar onde fica o Convento em que Antonio Machi foi acolhido como postulante é um local muito bonito, no alto de uma montanha, próximo ao litoral; lá de cima pode-se contemplar o mar. Foi ali que ele deu os primeiros passos para se fazer um homem consagrado a Deus. Nessa etapa formativa, segundo testemunhas, ele se fez tudo para todos. Dedicou-se com muito empenho ao serviço doméstico, pois tinha escolhido ser um Frade Irmão (também chamado de Leigo ou não-clérigo), ou seja, ele não queria ser padre. Naquela época, o Frade Irmão tinha por missão os trabalhos domésticos, a horta, a cozinha, a portaria do convento e o ofício de esmoler. Para ele, começou aí uma vida de renúncia, de abnegação. Uma vida marcada pela confiança em Deus, pela obediência a seus superiores e de muito serviço.


A admissão ao Noviciado aconteceu no dia 08 de dezembro de 1923. O local do Noviciado foi o convento de Petralia Sotana. O Noviciado é a primeira experiência intensa do candidato na vida consagrada e tem a duração de um ano. É um tempo de conhecimento mais profundo da vida religiosa Franciscana. Antigamente se dizia que era um tempo de provação, ali se fazia uma experiência mais profunda da oração, da meditação e do serviço fraterno. O Noviciado é um tempo em que o jovem pode confrontar suas aspirações e seus sonhos com aquilo que lhe é proposto. Conhece melhor a Regra deixada por São Francisco de Assis, a espiritualidade Franciscano-Capuchinha, fazer a experiência de viver em fraternidade, de doar-se totalmente a Deus e ao próximo.


Para o jovem Antonio, o dia da admissão ao Noviciado foi um dia duplamente feliz: pelo início da caminhada na vida consagrada e pela solenidade litúrgica desse dia, pois celebra-se a Imaculada Conceição, padroeira da Ordem Franciscana. Ao entrar para o Noviciado Capuchinho, com era costume na Ordem, trocou de nome. Não se tratava de uma simples troca. A pessoa que escolhia a vida religiosa Franciscano-Capuchinha renunciava inclusive a seu próprio nome. Recebido um nome que lhe era escolhido, colocava-se em seguida o nome Maria, em homenagem à Virgem e, para identificar de onde era a pessoa, adicionava-se o nome da cidade. Assim aconteceu com Antonio Machi. Passou a ser chamado de Gabriel, em homenagem ao Arcanjo São Gabriel, de Frazzanò, o nome de sua cidade natal, localizada na Sicília, Itália. O então Frei Gabriel colocou toda sua vida nas mãos maternais de Maria. Cada vez mais tornou-se um grande devoto de Nossa Senhora, sempre convocando as pessoas para rezar o Santo Terço.


Frei Gabriel, após o ano do Noviciado, emitiu sua primeira Profissão Religiosa no dia 09 de dezembro de 1924 e a Profissão Perpétua no dia 07 de junho de 1928.


Como dissemos, o Frade Irmão tinha naquela época como tarefa os afazeres domésticos. Seu serviço era manter o Convento limpo, cozinhar, lavar, ser porteiro, ser sacristão e ou pedir esmolas. No desempenho dessas tarefas, muitos se santificaram, pois desempenhavam seu trabalho com amor, com reverência. Frei Gabriel, logo depois de sua Profissão, exerceu suas tarefas dentro do Convento e também o ofício de esmoler: saía de casa em casa, na cidade ou no campo, pedindo esmolas para o Convento. Tal ofício aproximava o frade das pessoas e ele, certamente, não ficava indiferente diante daqueles que necessitavam de ajuda. Na cidade de Reggio Calabria, Frei Gabriel desempenhou o ofício de esmoler e, posteriormente, foi designado para as Fraternidades de Randazzo e Rangusa. Os frades que conviveram com ele nesse início de sua caminhada testemunharam sobre sua humildade e sobre ser um homem voltado para Deus, na oração e no silêncio.


Sabe-se que em 1934 Frei Gabriel era membro da Fraternidade de Randazzo. Nessa cidade existia o Seminário Menor da Província de Messina, e seu ofício era o de esmolar. Em 1936, Frei Gabriel foi transferido para o Convento de Messina um grande Convento onde os frades formandos estudavam Filosofia e Teologia. Nesse Convento, em meio a tantos frades, Frei Gabriel, desempenhando seu trabalho no silêncio, fez de sua ação sua pregação. Nunca foi de muita fala, mas era um frade da ação e do serviço.


Em 1936, a Província de Messina abriu a Missão aqui em Minas Gerais, a pedido de Dom Frei Luiz Maria Santana OFMCap., então Bispo Diocesano de Uberaba. O Ministro Provincial de Messina convidou os frades a rezarem pela nascente Missão. Pediu também frades que se dispusessem a vir para a Missão em Minas Gerais. Frei Gabriel de Frazzanò se sentiu tocado pelo pedido do Ministro Provincial e começou a rezar para discernir se seria esse seu caminho: ir para as Missões, sair de sua pátria, aventurar-se numa terra desconhecida e doar sua vida, sua juventude e suas forças para o bem do povo de Deus.


Por hora, ficaremos ainda com Frei Gabriel em Messina. Em nosso próximo encontro, abordaremos sobre suas inquietações missionárias e como, por obra de Deus, abraçou a Missão em Minas Gerais.

Deus nos abençoe a todos.

Paz e bem!


Frei Vicente da S. Pereira, OFMCap.

Frei Glaicon G. Rosa, OFMCap.

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