Importância da Assembleia Eclesial para a atividade pastoral da Arquidiocese de Uberaba



A Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que se realizará de 21 a 28 de novembro no entorno do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade do México, vai se tornando cada vez mais conhecida.


Em nossa Arquidiocese, já estamos dando alguns passos. O Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas, sob a orientação do Pe. Geraldo dos Reis Maia constituiu uma comissão de estudos, planejamento e articulação desse processo de participação. Trata-se de um caminho sinodal, colocando a sinodalidade ao serviço do Reino. Todos os batizados são chamados a realizar esse caminho juntos. De que forma? Na diversidade de nosso compromisso e responsabilidade, buscando essa sinodalidade. É a corresponsabilidade do povo de Deus.


Estamos por vivenciar uma grande oportunidade onde vamos escutar as alegrias e dores, e lançar um olhar para o futuro, fazer um planejamento e claro, viver depois esse futuro.


Diferente das conferências, que têm sido realizadas pelos bispos, essa assembleia será realizada com todas as forças evangelizadoras, todos os batizados.


O Lema da Assembleia, “Somos todos discípulos missionários em saída”, nos faz lembrar que os convocados são todo Povo de Deus, visto ser esta a eclesiologia do Vaticano II.


Diante disso, e sobretudo, não podemos nos esquecer da importância da oração e da preparação espiritual no processo da Assembleia Eclesial. Diante do exposto, devemos nos perguntar: qual a importância dessa Assembleia Eclesial para nossa atividade pastoral?


De uma maneira muito clara vejo primeiramente que estamos precisando de ânimo. Precisamos refletir as realidades vividas no hoje para buscarmos respostas aos novos desafios da Igreja, da nossa Igreja.


O ver social e o ver eclesial apontam realidades que precisam ser melhor elaboradas pastoralmente. A vivência pastoral da Igreja sofre com as realidades a nós impostas.


Falamos em pandemia, em modelo econômico desumano, em exclusão e descarte, em casa comum, em violência, em lacunas na educação, em migrantes, em indígenas e afrodescendentes, em comunhão, em informação. Falamos em secularização, em pentecostalização, em mundo urbano, em jovens, em mulheres, em abuso sexual, em clericalismo. Pois bem, enquanto Igreja Particular, precisamos olhar para estas realidades e perceber se estamos vivenciando um discipulado missionário em favor da vida. Esta será a grande importância da assembleia eclesial.


Esperamos que a Assembleia Eclesial nos faça repensar se estamos no seguimento de Jesus, se assumimos nossa missão, se somos de fato uma Igreja em saída. Se somos de fato evangelizadores.


Por isso nossa Igreja em Uberaba quer também entrar nesse importante processo de escuta, deixando brotar em nossos corações uma sabedoria renovada pelo Espírito Santo de Deus. Temos um longo caminho a percorrer. Certamente isso renovará nossas forças. De que forma abraçaremos o resultado da Assembleia Eclesial?


Se buscamos novas respostas pastorais para nossa Igreja precisamos nos unir e caminharmos juntos. Essa sinodalidade é essencial e fundamental, sobretudo porque o tempo em que vivemos as pessoas falam muito e talvez nem saibam do que se fala. Precisamos de qualidade na voz, no anuncio, no profetismo. Precisamos de coragem, de lucidez. Precisamos de novos caminhos, caminhos que nos façam passar por uma conversão pastoral e assim uma renovação eclesial.


Se nosso clero de Uberaba quer respostas, quer soluções, soluções pastorais, soluções para todos esses desafios apontados no VER precisamos nos unir. E o primeiro passo para essa busca é esse bonito processo de escuta. Vamos juntos compreender esse processo. Vamos juntos buscar essas soluções. Vamos juntos buscar essa renovação eclesial. Vamos juntos viver o compromisso cristão com suas implicações sociais, políticas e ambientais.


Vamos juntos, como comunidades de fé, procurar atender às necessidades das pessoas no atual contexto sócio-político-ambiental que vivemos. Vamos juntos nos empenhar nesse processo permanente de catequese, que inclua todo povo de Deus. Vamos juntos assumir nossa vocação batismal, sacerdotal e missionária.


Vamos juntos atender a esse pedido do Papa Francisco que nos convida a fazer um caminho sinodal. Como disse o Pe. Joãozinho, o Papa Francisco é sinodal, pois ele é sinônimo de povo.


O convite é para todos. Mas a resposta é pessoal. E podemos dizer, sem medo de errar, que o sucesso dessa Assembleia Eclesial dependerá do empenho de cada um de nós, que devemos nos motivar e motivar nossas paróquias, nossos grupos, movimentos, pastorais, associações e serviços para esse processo de escuta e participação.


Queremos fazer desse espaço de diálogo, num mundo em conflito, o lugar de uma verdadeira busca de caminhos novos, mas para isso é preciso que nos unamos, que conversemos, que rezemos.


Afirmou Dom Joel Portella Amado que o que faz a diferença é o participante. Temos forças vivas. Avante, não tenham medo, nos diria o Papa Francisco. Vivamos esse processo de coração aberto.


Monsenhor Célio Pereira Lima

Coordenador Arquidiocesano de Pastoral






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