“Ministérios ordenados são expressões de um mistério de amor”, afirma dom André Vital

O Mês Vocacional, celebrado em agosto, é uma ocasião especial para toda a Igreja no Brasil refletir, rezar e promover as diversas vocações. Por isso, cada semana do mês é dedicada a uma vocação específica. Nesta primeira, de 2 a 8 de agosto, é recordada as vocações dos diáconos, presbíteros e bispos (ministérios ordenados).


“O bispo, o padre e o diácono devem realizar na sua vida e ministério, de modo mais evidente possível, o que o próprio Senhor ensinou àqueles que Ele amou e chamou para compartilhar de maneira mais direta da sua missão: “Aquele que quiser tornar-se grande entre vós seja aquele que serve” (Mt 20,26b). O sacramento da ordem como também o sacramento do matrimônio, segundo o Catecismo da Igreja Católica, são classificados, pela sua própria natureza e missão, sacramentos do serviço e da comunhão (cf. CIC 1533)”, afirma dom André Vital, bispo de Limoeiro do Norte e membro da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


Em seu artigo intitulado “Ministros Ordenados: amados e chamados!”, dom André afirma ser muito significativa essa maneira de compreender esses dois sacramentos, sobretudo diante de uma tendência “hodierna” de colocar quase que em oposição indevida a opção pelo ministério ordenado celibatário e a união conjugal sacramental. De acordo com ele, na verdade, ambos estão intimamente relacionados porque contribuem para a salvação de outros; mas, por outro lado, explica que é justamente por esse serviço generoso aos outros, que a graça desses sacramentos concorre para a salvação pessoal.

“O sacerdócio comum dos batizados e confirmados faz-nos todos membros de um único e indivisível Corpo de Cristo: “Vós sois o Corpo de Cristo e sois os seus membros cada um por sua parte” (1Cor 12,27). Porém, salvaguardando a unicidade e unidade do corpo, não podemos negar a pluralidade dos seus membros. E para o bem do corpo é necessário que cada membro coopere segundo a sua natureza e finalidade. Portanto, os ministérios ordenados expressam e realizam o desejo do Senhor Jesus de fazer crescer na unidade, pela força do Espírito Santo, o seu Corpo, a sua Igreja”, diz.

Segundo dom André, o ministério ordenado não pode ser reduzido a uma simples funcionalidade. “Mais do que realizar atividades ou tarefas como profissionais, os ministros ordenados testemunham o serviço do próprio Senhor “que não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20,28)”, garante. De acordo com ele, o ministério não se exerce através de um simples fazer coisas, ainda que necessárias, mas sobretudo pelo modo de viver marcado por uma experiência de ser amado por Aquele que, por amor, entregou a sua vida, sendo Mestre por excelência da Palavra de Deus, Bom Pastor que guia e dá a vida pelo seu rebanho e como Sumo e Eterno Sacerdote da Nova Aliança, oferecendo-se sem reservas, até ao extremo “para que todos tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10).


O bispo reitera que os três graus da ordem estabelecem relações intrínsecas e ontológicas com Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor. “A instituição do diaconado, cujo testemunho escriturístico remonta à comunidade primitiva de Jerusalém (cf. At 6,1s); mas na sua essência como serviço, tem seu fundamento na própria missão de Jesus que se fez servidor de todos (cf Jo 13,15-16)”, salienta. Contudo, de acordo dom André, no dinamismo do Espírito na história, foi se configurando sempre mais diante das necessidades da comunidade. “A graça sacramental da ordem nesse grau fortalece o ministro com o dom do Espirito Santo, a fim de ser servidor de todo o Corpo de Cristo, auxiliando de forma concreta o bispo e seu presbitério através do serviço da Palavra, do altar e da caridade”, comenta.


O presbiterado, por sua vez, segundo dom André confere a missão de servir a todo o Corpo de Cristo na cooperação zelosa com a ordem episcopal. “Em virtude da ordenação, o presbítero torna-se servidor e anunciador da Palavra, ministro dos sacramentos e guia da comunidade” (Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil, 36): “Configurado a Cristo, Mestre, Sacerdote e Pastor, o presbítero realiza a sua missão na pregação fiel da Palavra de Deus, que deve ser alimento para o seu povo, não apenas em palavras, mas também pelo exemplo”, aponta o bispo.

“Transmitir a Palavra exige do presbítero o compromisso permanente de ele, também, alimentar-se da Palavra, crescendo na fé, a fim de ensinar o que crê, praticando o que ensina. Consagrado ao Cristo que se ofereceu pela salvação da humanidade, o presbítero exerce a sua missão também santificando o povo de Deus por uma vida de oração pessoal e comunitária, sobretudo na Eucaristia. Assim, como o Bom Pastor, em quem deve ter o seu olhar fixo, o presbítero a frente do rebanho, deve cuidar das ovelhas com solicitude e amor, sem se acomodar àquelas que já estão no aprisco, mas arriscando a sua vida em busca das que se perderam”, afirma dom André.

O episcopado, conforme dom André, não pode ser compreendido e muito menos exercido sem a convicção de que este ministério é serviço e não honra: “O bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas” (Ritual de ordenação, pág. 23). “A beleza desse ministério não é esteticismo de aparências, mas sinal que testemunha a fidelidade do próprio Senhor Jesus que amou e chamou os doze discípulos, cujos sucessores são os bispos, através dos quais, Ele mesmo continua a proclamar, na verdade, a boa nova da salvação, a dispensar as suas graças, e conduzir o seu povo”, garante.


Segundo dom André, os ministérios ordenados, mais do que funções entregues a funcionários, mesmo que capazes e eficientes, são expressões de um Mistério de Amor, que mesmo podendo fazer tudo sozinho, quis contar com a colaboração da sua criatura amada, pois esse é o modo de expressar seu amor. “Como diz S. Agostinho, que também foi chamado para o episcopado, e cuja experiência fundamental foi ser amado: “Aquele que te criou sem ti, não quis te salvar sem ti”, assim também o ministro ordenado, sem se sentir amado, não poderá se sentir chamado, e muito menos exercer o seu ministério com alegria, fidelidade e generosidade para o bem dos outros”, finalizou o bispo.

Veja (aqui) o artigo escrito por dom André na íntegra.

Foto de capa:  Javier Ocampo Zuluaga/Pixabay

Fonte: CNBB

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