Missão e Pandemia: ser criativo sobre fundamentos eternos


O número 17 da Constituição dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, nos diz que a Igreja recebeu o solene mandato missionário de Cristo para anunciar a verdade da salvação ao mundo. Por isso, cabe a todo cristão, através de seu testemunho de fé, a propagação da mensagem evangélica. Cada batizado é responsável na colaboração de difusão dos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. Tal propagação se dá conforme a vontade do Pai e segue algumas diretivas básicas, segundo o texto sagrado. Assim, estas diretivas estão muito bem exemplificadas no livro dos Atos dos Apóstolos, já no início do cristianismo. São pilares do anúncio da mensagem eterna do Altíssimo e luzes para nós, no hoje da fé, que buscam iluminar o caminho da missão cristã.

Comecemos, então, por dizer como se dá o processo missionário, segundo a perspectiva lucana presente em At (São Lucas é o autor dos Atos. Iremos tomar como base os dois primeiros capítulos do livro, em que estão presentes esses elementos que sustentam a autêntica missão cristã (At 1-2). O esquema para se entender a missão é bem simples, estando pautado nas seguintes etapas: 1) Etapa locutória (chamada de atenção sobre o anúncio); 2) Etapa ilocutória (conteúdo do anúncio; força do anúncio); 3) Etapa perlocutória (resultados do anúncio). Com isso, a pregação do Reino, no início do cristianismo, estava fundamentada nessas três características básicas que, em outras palavras, significam: a chamada de atenção (At 2,14-15) para o que se está sendo pregado (At 2,17-21.25-28.34-35) com vistas a um resultado (At 2,37-41).


Posto isso, observamos no texto lucano a pregação de Pedro diante da multidão presente na Judeia, após a experiência do Pentecostes. O apóstolo chama primeiramente a atenção de seus ouvintes, estando de pé e dizendo sobre a importância daquilo que iria falar. Depois, cita por três vezes passagens do Antigo Testamento (profeta Joel e o rei Davi) para conferir a sua fala a força da tradição bíblica da promessa de Deus. Por fim, podemos observar os resultados dessa pregação com as primeiras conversões, oriundas do arrependimento, concretizadas no batismo de cerca de 3 mil pessoas (cf. At 2,41). Devo, inclusive, fazer menção de que esse processo só ocorreu a partir da ação do Espírito Santo, depois do Pentecostes (At 2,1-12).

Em outras palavras, no Espírito, a missão deve primeiramente ser capaz de cativar, na chamada de atenção: por que se prega? Eis a primeira pergunta que devemos nos fazer. Depois, a atividade missionária deve estar pautada em fundamentos sólidos, pois a missão não é um mero ‘‘ir’’ e ‘‘vir’’ sem rumo, um só estar presente. É fazer-se presente na imagem do Cristo, Palavra do Pai. Como diz um ditado popular: a missão não é um ‘‘bater perna’’ à toa: é dar-se para o outro como Cristo se deu a nós na Cruz (Jo 13), é perguntar-se: o que se prega? Quais são os fundamentos de nossa pregação? Por fim, esse processo por si só (digo, pela força de Deus em virtude da promessa) gera vida (conversão, ressignificação do pecado, mudança de mente). Gostaria, inclusive, de recomendar o livro: ‘‘Dogma e anúncio’’ do papa emérito Bento XVI sobre como, o que e por que se prega; e como essa pregação deve realizar-se hoje, na Igreja contemporânea (em nossa sociedade líquida).

A missão possui o fundamento eterno, que é a promessa de Deus (o conteúdo de nossa fé), enraizado na nova árvore da vida (cruz). Isso permite a nós o cultivo da esperança; e essa esperança é criativa, mesmo em tempos difíceis como estes que estamos vivenciando na pandemia. A esperança garante a fé em um novo amanhã e por isso não devemos desistir de levar Cristo a todos, principalmente aos marginalizados (geograficamente e também espiritualmente). Não pretendo, de forma alguma, esgotar o sentido do texto lucano e da missão; apenas dar luzes que possam nos ajudar na compreensão de nossa identidade missionária.


Com isso, somos chamados, como novos homens recriados a partir de Cristo na ressurreição, a concretizar o anúncio da promessa realizada em Jesus por Deus. De modo muito especial, podemos fazer menção às obras da Igreja através das companhas missionárias organizadas pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) e a CNBB. Na novena missionária deste ano, temos o tema: ‘‘a vida é missão’’, sendo fundamentado no texto de Isaías (6,8). A vida é missão, sim! Somos batizados para anunciar a vida que se dá em abundância em Cristo Jesus pelo Espírito. E isso se faz de modo concreto nas campanhas de solidariedade, sendo que no último ano (2019) o Fundo Mundial da Solidariedade arrecadou mais de R$ 400 milhões de reais; vindos do Brasil, cerca de R$ 9 milhões de reais.

Isso para anunciar os fundamentos eternos que nos permitem a esperança por um futuro melhor na fé. Gratidão é a palavra que melhor descreve o quão importante é o reconhecimento dessa necessidade missionária na vida eclesial. De fato, como diz o Santo Padre, o Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões (18/10/2020): ‘‘estou convicto de que isso contribuiu para estimular a conversão missionária em muitas comunidades [...]’’. Com efeito, este é um passo importantíssimo para a caminhada missionária da Igreja no anúncio de Cristo Jesus, nosso Salvador.

Com isso, roguemos a Maria Santíssima, a Virgem da Abadia, a São José e aos santos padroeiros das missões, Santa Teresinha do Menino Jesus e São Francisco Xavier que iluminem nossos passos na compreensão de nossa identidade missionária, permitindo-nos ser criativos sobre os fundamentos eternos de nossa fé na concretude da vida. Amém.

Pablo Borges

Seminarista / 4º ano de Teologia

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