Mundo de Relações

A vida humana é constituída por grande e bonito mistério e se manifesta de forma relacional, seja em negócios, na convivência, no diálogo e no calor humano. Toda pessoa deve criar relações para dar sentido ao seu existir. Ficar isolado e hermético no próprio mundo do individualismo reinante hoje acaba dificultando o pleno exercício das capacidades naturais, próprias de todos os seres humanos.


Jesus Cristo foi o homem das relações. Multidões iam ao seu encontro e paravam para ouvi-lo. Seu discurso não era interesseiro e egoísta. Relacionava-se com compaixão e cuidava das necessidades do povo. As relações, nesse tempo de pandemia da covid-19, são desafiantes, mas isso não pode impedir nossa capacidade de acudir o outro, de sentir as necessidades que afetam parte da população.


Dentro do contexto das relações, ficar descompromissado com a missão assumida legitimamente é ato de irresponsabilidade. Não é saudável criar muros de distanciamento com as pessoas, principalmente a ação de uma autoridade em relação aos mais fragilizados. Agindo desta forma o povo fica desprotegido, conforme o que diz o Mestre Jesus, como “ovelhas sem pastor”.


Muitas autoridades abandonam o rebanho, aqueles que são seus liderados, simplesmente por causa de interesses particulares. Na verdade, são mazelas das más lideranças, que agem de maneira perversa e irresponsável, porque não criam relações de proximidade com o povo. A solução plausível é apresentar e escolher novas lideranças, que assegurem a dignidade e a vida do povo.


A prática deixada por Jesus pode ser tomada como modelo para o mundo. Seu critério de agir estava fundamentado no processo de união e relação entre as pessoas, evitando qualquer forma de discriminação e preconceito. Para Cristo, que procurou estabelecer a unidade e a paz, o amor deve superar o ódio e o perdão prevalecer sobre a punição. Assim procurou unir os que estavam distantes.


Os muitos discursos vazios, focados em projetos irreais e irrealizáveis, não ajudam no relacionamento com as pessoas e nem conseguem dar autenticidade, ou legitimação, para que alguém tenha verdadeira autoridade e seja realmente comprometida com a vida do povo. Muito pelo contrário, eles podem até provocar inúmeras exclusões sociais, discriminação, injustiça e sofrimento.


Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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