Nhá Chica, uma vida dedicada ao povo

Atualizado: Set 3


Francisca de Paula de Jesus, mais conhecida como Nhá Chica, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, Distrito de São João Del Rei (MG). Quando tinha 10 anos de idade, sua mãe morreu, deixando dois órfãos. Sozinhos, eles não tinham ninguém a quem recorrer. Vindos de uma família católica, pediram proteção e cuidados a Nossa Senhora.

Nhá Chica seguiu o caminho como outras santas e consagrou sua virgindade ao Senhor. Recusou todas as propostas de casamento que recebeu. Era equilibrada e conseguia ter bom relacionamento com ricos e pobres; porém, dedicava-se aos mais necessitados. Era justa e, assim como o Senhor, procurava tratar a todos com respeito e carinho, não discriminava ninguém, dava palavras de conforto e se dispunha a rezar pelas necessidades que lhe eram apresentadas.

Era recrutada para fazer orações, dar conselho, até mesmo aqueles que tinham negócios a procuravam para pedir orientações para as mais diversas causas. Nhá Chica consultava em tudo a Virgem Maria, a quem ela chamava de ”Minha Senhora”. Nada fazia sem antes consultá-la.

Ainda muito jovem, já era considerada “santa” pelo povo. Muitos se indagavam como ela conseguia discernir tão bem ao dar um conselho e como suas preces eram rapidamente atendidas. Ela simplesmente respondia: “É porque eu rezo com fé". Recebia visitas de todos os lugares e todos os tipos de pessoas. A todos tratava com o mesmo respeito e carinho, paciência e educação.


Recolhia-se às sextas-feiras para intensificar suas orações a partir das meditações da Paixão de Nosso Senhor Jesus, fazia penitência e alguns serviços domésticos. O testemunho de Nhá Chica é para mostrar o quanto necessitamos de ter fé e devoção à Virgem Maria e recorrer a ela em todas as adversidades. Rezar com muita fé nos convida a rezar pelo outro e ter fé que seremos atendidos. Nhá Chica seguia firmemente e confiante na frase dita a Juan Diego nas aparições da Virgem Maria no México, “Não estou aqui, que sou tua mãe?” Seguindo seu modelo, somos convidados a voltar nossas súplicas, nossos impossíveis, nossos desejos, sonhos, mas principalmente nossa confiança na Mãe de Deus, seja para pedir conselho ou alguma orientação sobre uma situação ou alguém. “Pedi e recebereis!” (Mt 7,7-12).



Maria, como nossa mãe e melhor amiga, quer apenas que façamos o que Ele nos disser e, como medianeira das graças, quem melhor que ela para nos indicar o caminho? Nhá Chica a teve literalmente como mãe e com toda a extensão que essa palavra tem. Por que não fazemos o mesmo? Morreu no dia 14 de junho de 1895, com 87 anos de idade. Conta-se que exalava de seu corpo um perfume de rosas nos quatro dias de duração de seu velório.

Sigamos seu exemplo de santidade que não foi constituída de visões, fatos milagrosos, experiências místicas e atos heroicos; foi na simplicidade que ela conseguiu amar a Deus e sua Mãe. Não nos esqueçamos de que podemos fazer melhor nos pequenos atos de cada dia. Quem não é fiel nos pequenos afazeres, como poderá ser fiel nos grandes? A partir de seu exemplo, meditemos em que podemos agradar a Deus, como Santa Terezinha e seu amor em sua própria pequenez e o amor em tudo o que fazia. Esse modelo de santidade parece ser agradável a Deus e podemos ver como Nhá Chica conseguiu se identificar e tornou sua meta de vida o amor pela simplicidade. Rezemos para termos uma relação filial com nossa Mãe Maria e que, aconselhados por ela, quando nossas preces forem ouvidas, possamos passar a dizer: “É porque eu rezo com fé".


Seminarista Gustavo Borges – 1º ano de Teologia

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