O Sacramento da Reconciliação e o Rito de Absolvição Geral


O Sacramento da Reconciliação sempre esteve presente na vida da Igreja e foi difundido ao longo dos tempos com diferentes nomes, tais como: sacramento do perdão, sacramento da confissão, além daquele que foi o primeiro nome adotado pelos cristãos, Sacramento da Penitência, pois sua celebração manifesta e realiza uma mudança radical na vida do penitente, transformando seu jeito de ser, agir e pensar.

Entretanto, essa mudança radical é impossível ao ser humano sem a graça de Deus que toma a iniciativa dessa transformação. Como vemos nos Evangelhos, o primeiro anúncio de Jesus refere-se ao convite à mudança: “o tempo se cumpriu, o Reino está próximo, convertam-se e creiam no Evangelho” (Mc 1,14). A conversão não é um ato apenas do penitente ou da comunidade; é um processo, um caminho inspirado pela Palavra de Deus que gera gratidão e reconhecimento da grandeza de Deus.

Assim, é tarefa da Igreja, através de sua missão de anunciar a Palavra, levar as pessoas à conversão gradual que acontece a cada dia, em cada gesto ou palavra, em cada relação que estabelecemos, para que cada vez mais possamos sentir a presença de Deus nessa nossa transformação cotidiana. Através do convite à conversão, a Igreja experimenta e também nos ensina que existe um novo jeito de viver, de sentir e de agir, muitas vezes bem melhor do aquele que experimentamos.


Por essa razão, a celebração do sacramento que manifesta e realiza nossa conversão é chamada a ser sinal salvador para o mundo. E em todos aqueles que buscam a conversão sincera, o mundo recebe um testemunho de fé.

O sacramento da reconciliação, assim como é conhecido por vários nomes, é o sacramento que mais passou por mudanças ao longo da história, influenciado pela cultura e pelas ênfases teológicas de cada época. Isto não quer dizer que o sacramento perdeu seu sentido; pelo contrário, quer mostrar-nos a liberdade que a Igreja tem para tratar dos sacramentos sem afastar-se de seus elementos essenciais.

Nos Evangelhos, Jesus afirma que sua missão é ter vindo para “chamar os pecadores” (Mt 9,13) e chamá-los para que se convertam e vivam (cf. Lc 5,32). Para isso, não chama apenas alguns pecadores, mas todos, em geral, para que se convertam. O chamado de Jesus não é inútil, mais sinal que terá como consequência a remissão dos pecados que leva à conversão, aceitando a fé em Cristo.

Os apóstolos, obedecendo ao mandato de Jesus, anunciam a penitência-conversão que corresponde ao perdão dos pecados: “arrependam-se e convertam-se para que os pecados de vocês sejam perdoados” (At 3,19). Além disso, a conversão estava ligada ao batismo: “arrependam-se e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados” (At 2,38).


Desse modo, instaura-se uma penitência batismal que faz a ideia de penitência-conversão ser essencial para o cristianismo, ou seja, aquele que quer ser batizado, que quer ser cristão deve passar pela experiência do arrependimento e mudança de vida para abraçar a fé.

Após a era apostólica, os sacramentos começaram sua estruturação, tal como conhecemos hoje, com seus ritos. Assim, podemos identificar quatro grandes mudanças no sacramento da reconciliação: uma, entre os séculos II e IV, conhecida como penitência pós-batismo; num segundo período, entre os séculos VII e XII, com a penitência tarifada; num terceiro período, entre os séculos XIII e XX com a penitência de confissão, e a última transformação, com a reforma do Concílio Vaticano II, no século passado.

Dentre as diferentes adaptações que sofreu o Sacramento da Reconciliação, queremos destacar o rito de Absolvição Geral, que foi adotado na vida da Igreja, de forma especial, devido às duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945). Diante da calamidade e do perigo de morte vivenciado naquela época, quando cidades eram bombardeadas, aconteciam grandes incêndios, além de naufrágios, era impossível recorrer-se a um confessor para receber o perdão de seus pecados, através do sacramento da reconciliação.

Como fazer, então, para que as pessoas pudessem receber o sacramento da reconciliação? A Igreja concedeu a faculdade para a absolvição coletiva ao povo que vivia em iminente perigo. Assim, um sacerdote presente nas diferentes situações de perigo poderia absolver de forma válida um grande número de pessoas, sem ouvir individualmente os pecados de cada um.


Assim, o Rito de Absolvição Geral pode ser utilizado em caso de grave necessidade, quando o sacerdote não tem condições de atender individualmente a cada penitente ou em iminente perigo de morte. Tal rito pode ser usado em nossos dias, em razão das exigências sanitárias que nos são impostas, como o distanciamento, além da proliferação do coronavírus. No entanto, para o uso do Rito de Absolvição Geral, é necessário o consentimento do bispo diocesano ou do arcebispo, informando como e quando ele pode ser administrado.

O Rito da Absolvição Geral não impede o penitente de, passado o perigo, ou em outro tempo oportuno, procurar o sacramento da Reconciliação, até por que uma das recomendações é essa: quando passar a pandemia, procure o sacramento. O rito não deve ser utilizado se eu, como penitente, não quero confessar meus pecados; para que o rito seja válido, é necessária a conversão, através do exame de consciência e do meu desejo de não voltar a cometer o mesmo pecado.

Como continuamente nos diz o Papa Francisco: “Deus nunca se cansa de perdoar” e está sempre pronto a nos acolher em sua misericórdia para trilharmos com ele um caminho novo, de busca e vivência da misericórdia, para vivermos a harmonia entre inteligência, vontade, memória. Ou seja, reconhecemos nossa condição de necessitados do amor de Deus e, com esse mesmo amor, vemos continuamente os efeitos dele em nossa vida.


Padre Saulo Emílio

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