O Sentido da Celebração da Páscoa em tempos de Pandemia


O Ano Litúrgico orienta os dias do cristão e dá a cada um o sentido de que necessita. É a memória do mistério do amor de Deus, derramado no tempo por cada um de nós, segundo nossas necessidades; é um amor personalizado. O que acabo de escrever seria a convicção de todo batizado, aquilo que às vezes esquecemos e outras vezes é retomado. Agora, temos que retomar.

O tempo quaresmal que concluímos e a Festa Pascal dentro do contexto de Pandemia nos despertam interiormente para esta questão: quem pode nos dar a nova vida que almejamos? Pode-se dizer que a Quaresma é para o ressurgimento de tudo o que já somos e temos, mas que, talvez devido ao desgaste do tempo, agora o vivemos com mais dificuldade. Purificação e iluminação são necessárias. Deve-se dizer que esses quarenta dias não podem ser percorridos se não for à luz da Ressurreição de Jesus Cristo. Só olhando para Ele e nos deixando motivar por sua transparência nos levantaremos das nossas cinzas e o Espírito Santo nos conduzirá no caminho de um novo renascimento. Ele nos levará ao reencontro de nossos melhores sentimentos, à renovação de nossas atitudes e à força de nossas decisões no seguimento de Cristo. Com efeito, é nisso que consiste a vida quaresmal e a celebração pascal: procurar, encontrar e perguntar mais uma vez a Jesus: “Mestre, onde moras?” É assim que se chega à vocação de discípulo-missionário, que é nosso modo de vida cristão.



Todavia, nossa Páscoa por tradição religiosa e eclesial é vivida também nas celebrações litúrgicas, nos atos de devoção e nas manifestações de piedade popular que expressam com fervor e beleza os mistérios da Morte e Ressurreição de Cristo e as dores de sua Mãe Santíssima.

Este ano, mais uma vez, os atos públicos de piedade e celebrações litúrgicas estão sujeitos às recomendações sanitárias, protocolos e decretos do poder público. O Tríduo Pascal é celebrado pelo que é e significa, embora as circunstâncias nos obriguem a modificar as formas de celebrá-lo. O quando e o como não são decisivos no que celebramos. O Senhor, para nos oferecer sua graça, não está sujeito a nossos modos de fazer, embora os abençoe e os valorize como oportunidade de se manifestar em sua bondade e misericórdia salvadora.

A Celebração da Páscoa em meio à Pandemia deve levar-nos a tomar consciência de que pela graça batismal "é Cristo que vive em mim", assim afirmamos que sua vida e todos os seus mistérios de salvação se tornaram uma realidade viva em nós.



Na Solenidade Pascal deste ano devemos, como nossa primeira intenção, pedir ao Senhor, por intercessão de Maria Santíssima e de São José, seu esposo, o fim da pandemia. Devemos também nos comprometer com a recuperação da caridade social, para que logo sejam encontradas soluções para as consequências econômicas, trabalhistas e sociais que este mal global está gerando. Vamos rezar uns pelos outros.


Padre Ricardo Alexandre Fidelis

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