Padre Léo, Servo de Deus e da alegria

A história de um homem de Deus que se mistura com a de nossa Igreja de Uberaba


“Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: Alegrem-se!” É o que São Paulo nos diz em sua carta à comunidade de Filipo (4,4). É a alegria, esta mesma querida pelo apóstolo dos gentios, que marca profundamente o testemunho do Servo de Deus Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, ou apenas Padre Léo, como ficou conhecido por imensa multidão de fiéis católicos brasileiros e, quiçá, de todo o mundo.


Padre Léo nasceu no dia 09 de outubro de 1961, no pequeno vilarejo de Biguá, no município de Delfim Moreira, região sul do estado das Minas Gerais. Era o nono filho de uma família muito simples e religiosa, com a qual aprendeu os caminhos da fé que o levaram a ingressar no Seminário, na cidade de Lavras (MG) em 1982 e a ser ordenado padre da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (dehonianos) em 1990, na cidade de Itajubá. Aqui sua história se mistura com a nossa, visto que as mãos que pousaram sobre sua cabeça e o fizeram sacerdote do Senhor foram as mesmas mãos que durante tantos anos pastorearam nossas terras. Naquele dia, quem o fez padre foi nosso saudoso Arcebispo Dom Aloísio Roque Oppermann, também religioso dehoniano.



Padre Léo, em sua juventude, passara por uma dolorosa experiência no contato com o vício em drogas e o tabagismo. Isso, somado ao contato com os jovens do estado de Santa Catarina, iluminou seu coração e motivou-o a fundar no ano de 1995 a Comunidade Bethânia, que atualmente conta com oito recantos no Brasil e acolhe adictos em álcool, drogas, portadores de HIV, prolongando sobre nosso chão o apostolado de seu fundador. Uma dessas casas fica na cidade vizinha de Uberlândia.


O Servo de Deus, contudo, ficou mundialmente famoso por suas pregações. Tendo conhecido a Renovação Carismática Católica (RCC) e tendo como amplificadora uma outra comunidade, a Canção Nova, a forma encarnada de pregar a Palavra de Deus transformou inúmeros corações e reuniu multidões que o ouviam com o coração aberto. Com público estimado em cem mil pessoas, a Palavra de Deus era propagada com alegria, vivacidade e comprometimento com a verdade. Por trás dos dentes que sorriam (e gargalhavam) com os causos do menino de Biguá, as almas eram solapadas por um verdadeiro apóstolo.


Seu ministério presbiteral durou 16 anos. Padre Léo faleceu no dia 04 de janeiro de 2007, em São Paulo, após lutar santamente contra um câncer. Esta luta está embrenhada nas páginas do último livro publicado enquanto vivo: “Buscai as coisas do alto”. Em dezembro de 2006, fez sua última e mais marcante pregação em um evento da Canção Nova. Parecia um presságio para aquela multidão reunida fisicamente e através dos meios de comunicação. Ao cantar "Alô, meu Deus”, os nossos corações de admiradores sentiam a hora da partida. Aquela era a última das 257 pregações feitas por ele naquele mesmo lugar. Livros publicados foram quase três dezenas.



Sua fama de santidade propagou-se instantaneamente. Os relatos de graças alcançadas por sua intercessão cresceram exponencialmente com o tempo. Com isso, em outubro foi dada abertura a seu processo de beatificação, através da Arquidiocese de Florianópolis, pelas mãos de Dom Wilson Tadeu Jönk. No dia 07 de março de 2020, o processo de beatificação foi oficialmente aberto em uma Celebração Eucarística realizada na Comunidade Bethânia, fundada pelo Servo de Deus.


O processo corre agora em sua fase diocesana, na qual são coletadas informações sobre a vida do Padre Léo, sua fama de santidade e os relatos de graças alcançadas por sua intercessão. Tudo isso colabora com o processo que, ao ser encerrado nesta fase, é encaminhado para a Congregação da Causa dos Santos, em Roma.



Este não poderia ser um texto impessoal. Padre Léo foi sempre admirado por mim. Após sua morte, seu testemunho e os inúmeros relatos aprofundaram ainda mais em meu coração a devoção e veneração por sua história que, de tão humana e trivial, o faz um exemplo eloquente de serviço, missão e sacerdócio. A ele sempre elevo minhas orações, para que as entregue ao Deus que sempre pregou com tanta alegria e posso, com grande satisfação, testemunhar que minha família faz parte daquelas que foram contempladas por seu olhar intercessor.


Servo de Deus, Padre Léo, seja feito logo beato e santo para o louvor dos altares! Que cada dia mais fiéis se inspirem em seu testemunho transformador e possam viver a fé como verdadeiro dom da alegria!


Welder Castro

Seminarista do 2º ano de Teologia

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