Perspectivas teológico-pastorais e cenários de Igreja

Em meio ao desafio continuado, imposto pela pandemia do novo Coronavírus, o ano de 2021 nos traz várias novidades como perspectivas teológico-pastorais. Algumas delas já estão circulando nos noticiários. Da parte do Papa Francisco, o ano ainda nem começara e eram lançadas novidades, como o “Ano de São José” e o “Ano da Família”. No início deste ano, Francisco estendeu a recepção dos ministérios leigos às mulheres. O Papa está sempre aberto às novidades de Deus para seu povo. Outras perspectivas teológico-pastorais nos são apresentadas pela CNBB, através da Campanha da Fraternidade e do tema central da 58ª Assembleia Geral. Em termos de Igreja local, nosso Plano de Pastoral nos lança o desafio: “Igreja – Casa de portas abertas para discípulos missionários”. Essas novas perspectivas colaboram para o aprofundamento de alguns cenários de Igreja.

Cenário Igreja doméstica. O Papa Francisco convocou o Ano de São José para celebrar os 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro Universal da Igreja. Francisco oferece uma reflexão sobre São José como um pai amado, um pai na ternura, um pai na obediência, um pai na acolhida, um pai de coragem criativa, um pai trabalhador e um pai nas sombras. Refletir, meditar e aprofundar as reflexões sobre a pessoa de São José será oportunidade para valorizar a paternidade e a vida de família.


Outra contribuição importante oferecida pelo Papa Francisco para este mesmo cenário será o “ano especial” dedicado à família. A proposta é assinalar o 5.º aniversário da Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”, fruto de duas assembleias do Sínodo dos Bispos. Assim expressou o Papa na Solenidade da Sagrada Família: “Será uma oportunidade para aprofundar os conteúdos do documento. Estas reflexões vão ser colocadas à disposição das comunidades eclesiais e das famílias, para acompanhá-las no caminho”. O Ano de São José e o Ano da Família serão oportunidades para descortinar várias perspectivas teológico-pastorais diante dos desafios enfrentados pelas famílias, instigados por esse importante documento “Amoris Laetitia”.

Cenário Igreja Ministerial e Sinodal. A mudança efetuada pelo Papa Francisco quanto à recepção dos ministérios leigos de Leitor e Acólito, até então reservados a varões, não muda muito na prática. Afinal, as mulheres já proclamam a Palavra e auxiliam no serviço da liturgia há muito tempo. O diferencial é que essa instituição se tornou oficial. Mais do que a concessão de um ministério, tal gesto do Papa sinaliza para a valorização da presença da mulher na vida da Igreja, num cenário de comunhão e participação, em perspectiva sinodal. Para além de cumprir funções, a mulher é chamada a ser protagonista na missão da Igreja.

Cenário Igreja Ecumênica. Outra perspectiva teológico-pastoral nos é apresentada pela Igreja no Brasil, com a realização da Campanha da Fraternidade que, neste ano, será ecumênica, o que acontece em média a cada 5 anos. Essa campanha é uma oportunidade de reunir igrejas cristãs sob a premissa do diálogo, dando um testemunho de unidade na diversidade, tal como Jesus orientou seus discípulos. Segundo Padre Patriky Samuel Batista, secretário executivo de campanhas da CNBB, “Esta campanha nos convoca a edificar um novo humanismo alicerçado na ética cristã. Não podemos permanecer indiferentes a esta realidade que banaliza a vida, gera conflitos, violências, discriminações e radicalizações”. Esse cenário ecumênico descortina variados horizontes de iniciativas para o universo pastoral, em perspectivas eclesiais e sociais.



Cenário Igreja da Palavra. No ano passado, o Plano Arquidiocesano de Pastoral trabalhou o “Pilar da Palavra”. Neste ano, entra no “Pilar do Pão”, dimensão muito importante, especialmente diante das necessidades de nosso povo. Devido especialmente aos desafios impetrados pela pandemia, o tema da Palavra continua atual. O cenário “Igreja da Palavra”, em perspectiva mais ampla e consistente será proposto pela CNBB, em sua 58ª Assembleia Geral, que deverá trabalhar como tema central o “Pilar da Palavra”, de acordo com os números 88-92 e 143-159 das Diretrizes pastorais atuais. A proposta da equipe de coordenação não é a de restringir apenas a um momento de motivação bíblica para as comunidades eclesiais, mas de fortalecer a Animação Bíblica da Pastoral na Igreja do Brasil, conforme o parágrafo 248 do Documento de Aparecida. Tal cenário de perspectivas teológico-pastorais será abordado dm nosso próximo artigo. Afinal, os desafios da pandemia nos instigam a ser uma Igreja da Palavra, como Igreja doméstica, ministerial, sinodal e ecumênica.


Padre Geraldo Maia

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