Perspectivas teológico-pastorais e cenários de Igreja II


No artigo anterior apresentamos alguns elementos, a modo de perspectivas teológico-pastorais, a partir dos quais apresentamos quatro cenários eclesiais: Igreja doméstica, Igreja Ministerial e Sinodal, Igreja Ecumênica e Igreja da Palavra. E finalizamos com a síntese: os desafios da pandemia nos instigam a ser uma Igreja da Palavra, como Igreja doméstica, ministerial, sinodal e ecumênica. Queremos hoje desenvolver o cenário de uma Igreja da Palavra, que não exclui os demais, antes, os pressupõe.

“Pilar da Palavra – Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias” – é o tema central que está sendo desenvolvido, para ser trabalhado na 58ª Assembleia Geral da CNBB, prevista para ser realizada em plataforma virtual, de 12 a 16 de abril, reservada aos membros da Conferência episcopal. Na verdade, essa temática estava prevista para o ano passado, mas a Assembleia foi adiada devido à situação da pandemia.

A parábola do semeador (Mt 13,1-9) nos ajuda a compreender o cenário de Igreja da Palavra, Igreja em saída missionária. O semeador, que saiu a semear, deparou-se com várias realidades para lançar as sementes: à beira do caminho, em terreno rochoso, no meio dos espinhos, enfim, em terra boa, que produziu muitos frutos. É tempo de semear a Palavra de Deus nos vários terrenos de periferias existenciais e geográficas. A Igreja em saída arma o hospital de campanha e se põe a semear a Palavra de Deus no coração das pessoas, como bálsamo que alivia os dramas da humanidade, em cenário de Igreja samaritana.


Somos chamados a fazer um resgate da relação dos cristãos com a Palavra de Deus, neste tempo atual de pandemia, em comunidades eclesiais missionárias e na Igreja doméstica, dentro dos próprios lares, em busca de aprofundamento da iniciação à vida cristã. Não basta resumir a espiritualidade em participação de ritos, em gestos e sentimentos de religiosidade popular. É preciso acolher a Palavra, qual semente lançada no terreno dos corações humanos. A centralidade da Palavra reconduz nossas comunidades às fontes verdadeiras da vida eclesial. Essas comunidades se renovam à medida que a voz da Escritura for presença, inspiração e influência.

Este tema é relevante para nossa vida eclesial hoje, em tempos de pandemia. A Igreja católica acostumou tanto os fieis à participação nas missas e outros ritos, como prescreve o primeiro dos cinco Mandamentos da Igreja, que se torna difícil prever uma eventual substituição da missa em casos excepcionais, como este que estamos vivendo hoje. Mais do que a presença no rito celebrado, a Igreja tem tomado atitudes em relação à vida humana, orientando os fiéis para que permaneçam em suas casas. Assim, as pessoas estão privadas da participação presencial nas celebrações eucarísticas, em respeito à vida humana, cumprindo protocolos de saúde pública.

Com a facilidade dos meios virtuais, as missas são transmitidas em tempo real, através das redes sociais. A orientação é que se participe e se faça a comunhão espiritual. Além da presença eucarística, que é verdadeira, real e substancial, o Concílio Vaticano II nos apresenta as variadas formas de presença do Senhor junto ao povo de Deus (cf. SC, 7). O documento também nos apresenta formas extralitúrgicas de vida espiritual (cf. SC, 12 e 13). É nessa perspectiva que entendemos a oração com a Palavra de Deus na vida de família, rezar com os Salmos, os hinos e meditar sobre os evangelhos e todo o conjunto das Sagradas Escrituras.



É nessa perspectiva que o Documento de Aparecida nos ajuda a descobrir as formas privilegiadas de encontro com Jesus Cristo. Além das formas litúrgicas (Eucaristia, sacramentos, comunidade reunida, pessoa do ministro ordenado, Palavra proclamada), o Documento nos afirma que o Senhor se faz presente na oração pessoal e comunitária, na comunidade viva; na fé e no amor fraterno; nos Pastores e naqueles que dão testemunho de luta pela justiça, pela paz e pelo bem comum; de modo especial nos pobres, aflitos e enfermos; através da piedade popular, em Maria – discípula missionária –, nos apóstolos, nos santos e santas (cf. DAp 246-275). Aí está uma abundância de oportunidades de verdadeiro encontro pessoal com Jesus Cristo, colocando-nos em comunhão com Ele e tornando-nos seus discípulos missionários (cf. DAp 245). O cenário de Igreja doméstica, Igreja da Palavra e Igreja samaritana nos possibilita realizar o encontro pessoal com Jesus Cristo, especialmente nesses tempos de cuidados sanitários diante da pandemia.


Padre Geraldo Maia

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