Pesquisa Iconográfica sobre N. Sra. do Rosário: obras de arte que inspiram devoção e conversão

A ideia de realizar uma pesquisa iconográfica sobre Nossa Senhora do Rosário nos ocorreu, primeiramente, em função do aspecto devocional que nos sensibiliza profundamente e nos mobiliza bastante, pela ciência que temos de que é preciso trabalhar nesse sentido com muito empenho. Ou seja, proporcionar acesso ao conhecimento especifico que incentiva a prática devocional Mariana, com especial atenção à devoção do Santo Rosário.


Outro motivo, foi a importância desses Ícones também como obras de arte, muitos deles elaborados por grandes pintores ou mesmo por artistas que, embora não tenham alcançado renome mundial, particularmente, no panteão da Arte Sacra, se destacam outrossim, por terem realizado belíssimos trabalhos, singularizados por sua profunda espiritualidade.


O terceiro motivo que nos estimulou, foi a gratificante experiência de pesquisa iconográfica sobre a história de vida de Santa Catarina Labouré, Santa Beatriz da Silva e Santa Clara de Assis, todas desenvolvidas, em média, no período de quatro a cinco meses. O resultado dessas pesquisas foi a apresentação da peça “Santa Catarina Labouré, Carisma e Vida”, durante dois anos no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e a produção do poema épico “Santa Beatriz da Silva, Serva de Maria”. Esse material de pesquisa ofereceu também referências biográficas e imagéticas que foram aproveitadas na elaboração dos folhetos dos Tríduos de Santa Beatriz da Silva e de Santa Catarina Labouré, no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. E por fim, ressaltamos, também, a pesquisa sobre Santa Clara de Assis que deu origem à Exposição “Santa Clara de Assis, Vida e Legado”, inaugurada durante o Tríduo de 2019 e em permanente mostra na Comunidade Santa Clara, da Paróquia Sagrada Família.


Cada uma dessas pesquisas nos surpreendeu de alguma forma, proporcionando uma percepção e compreensão de aspectos importantes da vida dessas Santas da Igreja Católica e sobre a cooperação que tiveram no âmbito devocional, sobretudo, em relação ao culto especial devido à Virgem Maria, Mãe de Deus, em todo o mundo.


No caso dessa recente pesquisa sobre ícones de Nossa Senhora do Rosário, muitos elementos sobremaneira nos surpreenderam pelo seu valor histórico, artístico-cultural e espiritual. A questão histórica logo emergiu fortemente: os ícones todos estão entronizados em Igrejas Católicas ou expostos em locais públicos, com os devidos registros que nos dão conta, entre outros dados, da data em que foram elaborados. Considerando-se esse detalhe, foi possível concluir, por exemplo, que após o Concilio de Trento no século XVI, em virtude do grande incentivo dado pelo Papa Pio V, que era Dominicano, aconteceu uma intensa divulgação do Santo Rosário em toda a Europa. Muitas telas alusivas ao Rosário, então, foram pintadas, mostrando a Virgem Maria entregando o Santo Rosário a São Domingos e tendo a tela central circundada de pequenas telas que apresentam os Mistérios da nossa Redenção. Esse tipo de quadro tinha também, a função de apoiar os fiéis no aspecto da contemplação e da meditação dos Santos Mistérios.


Outra constatação relevante foi a de que os ícones de Nossa Senhora do Rosário estão em todo o mundo em grande escala e também em Santuários e Igrejas muito belas, de singular expressão arquitetônica e artística, e sobretudo, cumprindo o papel de importantes centros de peregrinação, de prática devocional, e de evangelização, com destaque para as que são edificadas e administradas pela Ordem dos Pregadores.


Pareceu-nos também evidente que o movimento devocional Mariano propicia a aproximação das pessoas, congrega os corações e os volta para o Cristo, em aprisco seguro. O Santo Rosário é a formosa rede de pescar almas de nossa Mãe Santíssima. Mediante sua terna e doce acolhida, seu estimulo à prece, Nossa Senhora sensibiliza e ajuda as almas a se abrirem, nesse belo exercício de fé, ao sopro do Espirito Santo que as inspirará para que melhor compreendam o Evangelho de Jesus e aspirem sua própria transformação, sua conversão, ansiando não somente pelo bem que almejam para si mesmas, mas pelo bem de todos. Desse movimento interno de prece, de confiança na intercessão de Nossa Senhora, os rosaristas podem passar a uma dimensão maior de pertença e de compromisso, tornando-se, gradativamente, verdadeiros discípulos missionários, com amor e fé, engajados na militância da Igreja em prol da evangelização que promove a justiça e a paz entre os homens.


Rita De Blasiis

Uberaba, 27 de maio de 2021


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1- "Madonna del Rosario com San Domenico e Santa Caterina", santos e mistérios do Rosário


Nesse lindo Mês de Maio, dedicado à Maria e à oração do Santo Rosário, iniciamos nossa publicação de uma série de pinturas e de imagens, que de certa forma, nos auxiliam a meditar, a compreender e a amar nossa Mãe Santíssima. Ela nos oferece o recurso da oração do Rosário para aprimorarmos nosso entendimento da passagem do seu Filho pelo mundo, dos ensinamentos que ele nos proporcionou e dos exemplos que ele nos deu. A recitação do Rosário se compõe de orações e de reflexões que nos auxiliam a meditar, a mergulhar no mistério da vida, da obra e do legado eterno do Cristo. Que a contemplação desta linda obra de arte nos anime a orar mais, a recorrer a esse recurso que Maria nos concede, tomando também essa atitude devocional em retribuição ao seu terno amor por nós. Sobretudo oremos como manifestação de fé, de confiança em sua intercessão. Vamos em direção a Jesus, mas, passamos por Nossa Senhora que insufla em nosso coração o ardente desejo de conhecer o Cristo, de estar em verdadeira comunhão com ele, em fraterna convivência com todos. Ainda não conseguimos realizar tudo isso, mas, precisamos tentar, sempre tentar, perseverando, em preces e em ações. A oração do Santo Rosário muito nos auxilia nessa busca, o impossível vem sempre de Deus.



2- Nossa Senhora do Rosário do Museu de Arte Sacra de San Paio de Antealtares

“O mosteiro de San Paio de Antealtares fundado no século IX por Alfonso II, foi o primeiro em Santiago de Compostela. O rei ordenou que doze monges beneditinos guardassem e cuidassem das relíquias do apóstolo recentemente descobertas. No final do século XV, o mosteiro albergava o Estúdio Vello de Santiago, fundado por Lope Gómez de Marzoa, semente da atual Universidade de Compostela. O Museu de Arte Sacra é acessível através da igreja do mosteiro”.

Nesse Museu encontra-se a tela de Juan Antonio Bouzas (1680 - 23 de maio de 1755) um pintor espanhol do período barroco que nasceu em Santiago de Compostela. A obra apresenta Maria e o Menino Jesus entregando o rosário aos representantes das três ordens religiosas à direita. À esquerda, um nobre e um eclesiástico recebem uma guirlanda de rosas. Circundando a cena está um rosário com todas as quinze décadas e as respectivas imagens dos 15 mistérios do rosário.

A representação dos acontecimentos da vida de Cristo tem a função de auxiliar os fiéis na meditação de cada um dos conjuntos de Mistérios. Enquanto a pessoa recita as orações, concomitantemente se concentra nessas passagens do Evangelho e busca assimilar os seus ensinamentos, as suas exortações, os seus convites a uma mudança de vida que implica na alteração do nosso modo de pensar, de agir, de sentir, de discernir e de julgar.

Mas, por que se faz necessária a oração do Santo Rosário? Essa é uma questão que pode ocorrer as pessoas que não tiveram oportunidade de aprender e de praticar essa devoção mariana.

A resposta imediata, na forma de pronta argumentação está na própria demanda da humanidade que acumula sobre seus ombros uma espécie de carga bastante pesada, fruto da impiedade predominante nas relações de toda ordem, sociais, políticas e sobretudo econômicas. O sofrimento humano, sem o que nos propõe o Evangelho e sem a oração que põe a nossa esperança em Deus, torna-se verdadeiramente insuportável.

Interessante observar que São Domingos de Gusmão vivencia uma singular experiência mística que nos remete a esse contexto. Encontramos no site da Paroquia Nossa Senhora do Rosário da Universidade São Tomás de Aquino, na Espanha, o seguinte texto:

“Decepcionado com a conversão dos hereges, São Domingos retirou-se para uma floresta perto de Toulouse, França, onde orou continuamente por três dias e três noites. Durante este tempo, ele não fez nada além de chorar e fazer duras penitências pela intenção dessa heresia generalizada. Ele usou tanto sua disciplina que seu corpo foi dilacerado e, finalmente, ele entrou em coma. Nesse momento, Nossa Senhora apareceu a ele e pediu-lhe que “pregasse o meu Saltério” (o Saltério de Maria) para alcançar essas almas endurecidas e conquistá-las para Deus. Então ele se levantou com zelo ardente e pregou com sucesso pela conversão deles”.

A condição de dolorosa penitência em que se encontrava São Domingos era realmente tensa e muito complexa. O contexto histórico que ele vivia, em sua época, envolvia uma violenta Cruzada, interesses políticos, disputas pela posse de regiões importantes, em meio a uma profunda incompreensão por parte de grande número de pessoas que negavam importantes verdades de fé da Igreja Católicas, arrastando outras consigo.

É exatamente nessa situação dramática do contexto histórico religioso de seu tempo, no momento em que se esgotam as forças físicas de São Domingos, após inaudito esforço de perseverança na oração, que Nossa Senhora surge para propor o recurso, como que a única arma capaz de conciliar os antagonistas, aproximar a todos para o entendimento da verdade suprema e para a busca do diálogo fraterno que estabelece a paz.

A oração proposta por Nossa Senhora é, portanto, um refrigério para a alma, um tempo de silencio interior em que, pela repetição da oração contemplativa de cada mistério, a mente e o coração da pessoa se abre no exercício da meditação para a fecundação espiritual que semeia amor e suscita lucidez.

Qual a diferença, então, entre esse momento vivido por São Domingos e o que vivemos hoje em dia? Os elementos superficiais concernentes à época podem divergir na aparência, mas a natureza dos embates, os interesses mesquinhos, os equívocos renitentes e fundados nesses mesmos interesses se perpetuam.

A atualidade do convite de Nossa Senhora feito a São Domingos, portanto, é evidente. Temos necessidade de orar exatamente porque ainda estamos carentes de ajuda celeste que nos auxilie a promovermos a mudança interna nossa e a do mundo. Essa transformação do mundo só ocorrerá por decisão individual de cada irmão que compreender o exemplo do Cristo e decidir converter-se, dar também, por sua vez, o testemunho de seu amor.


3- Nossa Senhora do Rosário em Chevreuse, a pintura

De autoria desconhecida é datada de 1649. Vemos a Virgem no centro, frontal, segurando o menino Jesus de joelhos, em uma nuvem, rodeada de querubins. Seu rosto está envolto em uma auréola de luz. Tudo isso define um espaço celestial revelado pela abertura de cortinas puxadas por anjos. Um espaço celestial que se aproxima da terra, aproximando Maria da humanidade. Jesus voltado para Santa Catarina contempla a cruz do rosário anunciando que ele é o Redentor com a sua oferta de amor na Cruz. Aos pés de Maria estão São Domingos (1170-1221) olhando para o céu e Santa Catarina de Sena (1347-1380), ambos unidos na oração que recebem de Maria em forma de rosário. Os dois santos ajoelhados mostram o caminho da oração a toda a humanidade, Catarina de Sena, embora não seja contemporânea de São Domingos, é retratada como uma figura feminina essencial da ordem dominicana. Ela é Doutora da Igreja. Na cabeça, uma coroa de espinhos e nas mãos, estigmas discretos recebidos no Pentecostes de 1373, aliás como São Francisco de Assis, ela contempla com ardor a Paixão de Cristo e compreende, numa visão, que os espinhos ao pé da árvore da vida são os provações da vida que permitem que alguém se una à cruz do Salvador”. (1)

Nós que vivemos em um mundo repleto de signos, de alguma forma estamos preparados pela própria força invasiva da propaganda na mídia para ler, decodificar as diversas linguagens os símbolos e as mensagens que nos são propostos. Todas, invariavelmente, aspiram alcançar a nossa adesão, extrair de quem se submete aos seus apelos alguma vantagem e nos induzir, até mesmo, à adoção de padrões comportamentais que sejam do interesse daqueles que nos bombardeiam a mente com suas publicidades e propagandas. Ao lermos a descrição minuciosa dos elementos que compõem a pintura de Nossa Senhora do Rosário em Chevreuse, percebemos a preocupação do artista em desenvolver uma narrativa, de forma que sejam claramente explicitadas a identidade dos Santos representados no quadro e suas experiências místicas. A obra de arte está repleta de signos, tudo o que compõe a cena retratada tem um sentido, uma intencionalidade. De certa maneira, o artista almeja organizar um discurso que sensibilize, que dê testemunho da verdade e que estimule a devoção mariana, a prática da oração do Santo Rosário. As artes visuais têm essa capacidade de nos comover, de nos encantar, de nos atrair ao que é bom pela via do contato com o que é belo. Nesse sentido, é realmente belo e bom o exemplo da atitude devocional de São Domingos de Gusmão e de Santa Catarina de Siena, genuflexos diante do Menino Deus e na presença de Maria Santíssima. Essa genuflexão sintetiza a humildade e a piedade que os anima, a perseverança que os caracteriza e a fé sincera que os alimenta. A análise profunda dessa obra por um especialista, muito provavelmente, nos auxiliaria a enxergar detalhes que não perceberíamos em nosso relancear de olhos, nos dando conta de inúmeras características técnicas, relativas também à questões da arte religiosa, da filosofia da arte, etc. Mas, em consonância com a atual compreensão da moderna competência para atrair o interesse e lançar a ponte do diálogo que possibilita o entendimento, preferimos refletir sobre outro aspecto que nos parece muito mais relevante. Tudo o que está representado nesta pintura existiu um dia, neste mundo. Foi vida presente entre vivos e permanece ainda, viva na eternidade. Essa realidade nos sugere uma supra realidade: perante a efígie de Maria e de Jesus Menino, quando oramos e meditamos, à guisa de São Domingos de Gusmão e de Santa Catarina de Siena, o que se passa? Não somente conosco, mas, nessa conversa em que pronunciamos as nossas preces, o que se passa também no âmbito místico? Se nos fosse dado ver em situação de vida presente, nossa Mae Santíssima, o que nos diria o seu olhar, que palavras suas nos viriam ao coração? Orar como quem dialoga, confiar como quem escuta, contemplar como quem busca abstrair da referência que temos diante de nós a essência que almejamos receber em nosso íntimo, em nossa vida e na de nossos irmãos. Essa é a sutil diferença, não se trata de uma força invasiva, é uma questão de livre-arbítrio, de sensatez. Escolhemos orar como as flores que se abrem na luz da manhã, tocadas pela luz amorosa do Sol. Deus assim nos ama e nos concedeu sua Mãe e ela, o seu Santo Rosário como impulso que entreabre as nossas almas para o amor do Cristo.


4- Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá

O ícone em destaque neste dia 04 de maio é uma pintura conservada na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, na diocese colombiana do mesmo nome. A linda e comovente história desta obra de arte sacra nos fornece indicadores de como, na trajetória dos povos, na constituição de nações e de países, se faz presente nossa Mãe Santíssima em sua especial ternura, com desvelo, preparando corações para a compreensão, para a vivência do Evangelho, a edificação do Reino de Deus na Terra.

“A imagem de Nossa Senhora tem cerca de um metro (39,37 polegadas) de altura e ela está em uma meia lua. Nossa Senhora tem um sorriso doce no rosto e segura o Menino Jesus no braço esquerdo. Jesus tem um pequeno pássaro amarrado ao polegar direito. Um rosário está pendurado na mão de Nossa Senhora. Como havia espaço extra na tela de pano, Alonso pintou Santo Antônio de Pádua e Santo André o Apóstolo de cada lado dela. Utilizando este equipamento arcaico e combinando-o com incrível criatividade e desenvoltura, Narvaez criou uma das mais magníficas pinturas marianas de todos os tempos, Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá . Em 1563 a imagem sacra, pintada em tela de algodão segundo a arte índia, foi colocada na capela. O pequeno edifício, com o teto de palha, depois de poucos anos foi se deteriorando assim como a tela. Quando Dom Antonio faleceu, sua viúva se transferiu para Chiquinquirá, levando consigo o quadro, que foi colocado em uma capela. Dez anos depois veio àquele lugar uma piedosa mulher chamada Maria Ramos, cunhada do falecido Santana, que limpou o quadro e o colocou num lugar de melhor destaque na capela(6). No dia 26 de dezembro de 1586 verificou-se o evento prodigioso conhecido como “Renovación”. María Ramos proprietária da tela por herança, junto com a índia cristã Isabel, conduzindo seu filho o menino mestiço Miguel, são testemunhas da Virgem espargindo um esplendor celestial que enchia toda a capela e com assombro viram a transformação que se havia operado na pintura, “tão lúcida e renovada de cores alegres e celestiais, que era uma glória vê-la”. Tudo isso sem qualquer intervenção humana de restauração. O fato prodigioso se espalhou pela vizinhança. Começou a afluir gente de todas as partes. A informação não tardou a chegar aos ouvidos da autoridade eclesiástica. O arcebispo de Bogotá Luís Zapata de Cárdenas, ordenou a construção de uma igreja em Renovación. No início do século XIX, decidiram construir em um local menos exposto aos frequentes terremotos, uma igreja para a imagem milagrosa. Trata-se da atual Basílica de Nossa Senhora do Rosário. A coroação canônica da sagrada imagem ocorreu em 1919. Em 1829, o Papa Pio VII a declarou Padroeira da Colômbia".

No dia 09 de julho de 2021, um quadro com uma réplica da pintura de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá será entronizado nos Jardins do Vaticano, em uma área exclusiva onde se encontram imagens de Virgens de todo o mundo. Nove de Julho é o dia em que a Colômbia celebra a coroação de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá como Rainha e Padroeira da Colômbia. O desvelo maternal de Maria se manifesta sob uma forma de ação evangelizadora, aglutinadora, que se espraia por todo o mundo, sempre com características similares. Mercê da graça de Deus, ela dá o sinal de sua presença medianeira, como podemos constatar no ícone de de Nossa Senhora de Guadalupe, milagrosamente estampado em tecido comum.. Sobre a pintura de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, expressa a Sagrada Congregação dos Ritos no seu Decreto de 18 de julho de 1829: “É indiscutível que "nesta Imagem está incluído algum dom especial de Deus, reservado para o remédio de males graves“. Os Frades Dominicanos responsáveis pelo Santuário Mariano, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá, por sua vez, assim se expressam neste excerto que é parte da apresentação intitulada “Quem somos”, no site do Santuário: “Somos os guardiões e servos da Virgem Maria na invocação do Rosário de Chiquinquirá. Somos testemunhas da bondade e grandeza de Deus para com nosso povo colombiano. Estamos cientes de que assim como Deus renovou a imagem de Nossa Senhora, ele também renovará nossas famílias, curará corações aflitos e trará paz e reconciliação à nossa pátria. Somos uma família dominicana que compartilha o ideal de Santo Domingo de Guzmán, de anunciar o Reino de Deus, de vivê-lo e ser testemunhas. Somos homens, mulheres e crianças que se alegram por estar sob a proteção de Maria e por servir com fraternidade aos milhares de peregrinos que visitam seu santuário. Somos irmãos em Cristo Jesus que procuramos viver a alegria do Evangelho”.

Essa apresentação de quem são as pessoas responsáveis pelo Santuário Mariano de Chiquinquirá nos proporciona uma compreensão de aspectos fundamentais da ação evangelizadora de Maria Santíssima no mundo, sobre como ela atrai as multidões em busca de socorro, de alento, conduzindo-as, esperançosas, ao coração do Cristo para que por sua vez também se renovem, encontrem o sentido da vida e aprendam a servir com fraternidade ao serem amorosamente servidas pelos que se dedicam à causa mariana, a evangelização dos povos.


5- "Virgem dando o Rosário a São Domingos", datado entre 1638-1640 e preservado no Palácio Arcebispal em Sevilha

“A obra, tema muito popular no século XVII, mostra o momento em que a Virgem e o menino, apoiados numa nuvem de querubins e rodeados por um séquito de anjos musicais, apresentam o terço a São Domingos ajoelhado. O santo foi o primeiro promotor da devoção do rosário desde o século XIII. O cachorro de Deus, símbolo da ordem dominicana, segura no focinho uma tocha que indica seu ensino e obra evangélica, iluminando o mundo. No canto inferior direito, um relevo mostra o brasão da mesma ordem. A composição sóbria e correta desenvolve um modelo iconográfico tradicional. No entanto, a Virgem do Rosário anuncia o que será uma das grandes conquistas da pintura de Murillo ao longo de sua vida; isto é, uma clareza expositiva indiscutível dentro dos cânones da pintura barroca, que aproxima o fato religioso dos fiéis de uma forma tão simples e natural quanto pessoal e inconfundível. A obra, pintada para o convento de Santo Tomás em Sevilha, aí permaneceu até a invasão das tropas de Napoleão, que a depositaram no Alcázar. Até o momento, esta obra é considerada a mais antiga conhecida por Murillo”.

O quadro de Murillo “Virgem entregando o Rosário a São Domingo” nos reporta, de certa forma, ao Concilio de Trento, um concílio ecumênico da Igreja Católica desenvolvido em períodos descontínuos durante vinte e cinco sessões entre os anos de 1545 e 1563. Convocado em resposta à Reforma Protestante para esclarecer vários pontos doutrinários, o Concilio de Trento, entre diversos pontos doutrinários, deu especial atenção à questão da veneração da Virgem Maria. Um dos reflexos do Concilio de Trento nesse sentido, foi a onda de misticismo que surgiu, estimulada pela própria Igreja e o recrudescimento da devoção a Nossa Senhora do Rosário com forte demanda de produção de obras de arte, pinturas e imagens sobre o tema. A tela de Murillo, neste sentido, integra esse movimento ocorrido na Europa.

A menção feita aqui, à questão da veneração à Nossa Senhora, convém seja sempre esclarecida, em seu especial atributo. Existem três tipos de adoração, por causa da dignidade diferente daqueles a quem nossa reverência é ordenada: a) Da latria ou adoração, que só é devida a Deus, como Senhor soberano e por sua infinita excelência. b) De dulia ou veneração, que é devida aos anjos e aos santos pela excelência das suas virtudes. Ao honrar os santos, estamos honrando a Deus, visto que Ele se manifesta neles e por eles somos atraídos a ele. O Concílio de Trento ensina a legitimidade deste culto, contra os protestantes que quiseram ver nele uma forma de superstição (cf. Concílio de Trento, DZ. 941, 952 e 984).c) Finalmente, o culto da hiperdulia ou veneração suprema, que é o culto devido à Santíssima Virgem pela sua eminente dignidade de Mãe de Deus. A Sagrada Congregação dos Ritos, Decreto de 1-VI-1884, diz: “É devido a Maria um culto superior e eminente sobre os santos, na medida em que ela é a Mãe de Deus”; (cf. Conc. Vat. II, Const. dogin. Lumenn gentiumi, n.66 e, S.Th., II-II, q.103, a.4.). [dois] Hiperdulia (do grego υπερδουλεια; «alta veneração») é um termo teológico utilizado pela Igreja Católica, que significa a honra e o culto de veneração especial devotados a Nossa Senhora.

A veneração à Maria, cumpre também ressaltar, implica em reconhecer a sua intercessão junto a Deus e a seu Filho e, por conseguinte, em dirigir-se à ela mediante oração. Destaca-se o Rosário, neste aspecto, como a mais bela e completa forma de oração mariana que conhecemos, por ter sido, conforme a tradição dominicana, revelada a São Domingos pela própria Virgem Maria e por ser essencialmente Cristocêntrica.

Frei Alberto Beckhaüser, OFM, a esse respeito, ressalta que: “Se por vários séculos o povo cristão conservou sua fé e se aprofundou no Mistério de Cristo, apesar de o “culto oficial” estar numa linguagem desconhecida, devemo-lo em grande parte à devoção do santo rosário. É, na verdade, uma espécie de celebração da Palavra de Deus, palavra não lida, nem proclamada diretamente da Sagrada Escritura, mas resumida na proclamação dos mistérios a serem comemorados e contemplados”. (BECKHAÜSER, 2007, p.143).

O ícone pintado por Murillo, portanto, traduz um momento histórico, nos reporta aos embates da Igreja Católica para definir os rumos adequados e as formas corretas para alcançar a evangelização dos povos, e revela os esforços encetados pela piedade popular corroborados pelos artistas. E sobretudo, nos proporciona a visão enternecedora desse colóquio entre Maria, Jesus Menino e São Domingos, testemunho vivo de que Nossa Senhora intervém na historia da Igreja e do mundo como medianeira de graças.


6- Panny Marie Růžencové Nossa Senhora do Rosário

“A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é uma igreja católica romana localizada em České Budějovice na rua Žižkov, no terreno do Mosteiro Petrin. A decoração artística da igreja é um dos mais belos exemplos da chamada arte Beuron no sul da Boêmia. A igreja e a fachada da congregação são protegidas como um monumento cultural da República Tcheca.

Foi especialmente o Padre Václav Klement Petr, fundador da Congregação dos Irmãos do Santíssimo Sacramento (1888), que dedicou os últimos anos de sua vida à realização desta igreja. ...] Em 21 de agosto de 1898, foi consagrada a pedra fundamental da nova igreja, posteriormente dedicada à Virgem Maria do Rosário. Na noite de 13 a 14 de abril de 1950, as atividades da congregação foram proibidas pelo regime comunista e, embora a igreja não tenha sido totalmente abandonada nesses quarenta anos, não foi restaurada até 1989, quando a vida comunitária foi retomada”.

Não há menção, nos sites consultados, sobre o autor das pinturas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. O ícone mantem a composição tradicional, apresentando Nossa Senhora entregando o Rosário a São Domingos e a Santa Catarina de Siena. Um esplendor dourado ocupa grande parte do plano de fundo do quadro, dando leveza e ao mesmo tempo, destacando as imagens dos Santos dominicanos cujo gestual traduz o apreço que têm pela Mãe Santíssima e pela oração do Santo Rosário.

As informações disponibilizadas na WEB são mínimas por um lado, mas, por outro lado permitem, por essas lacunas que nos indaguemos sobre diversos aspectos. Padre Václav Klement Petr se dedica à construção da Igreja e a consagra a Virgem do Rosário. O que motivou essa iniciativa e essa escolha? Como os católicos que frequentaram essa Igreja durante o período de 50 anos em que ela esteve funcionando atravessaram esse o espaço de tempo seguinte em que a Igreja foi fechada pelo governo comunista?

Encontramos na página da Igreja Nossa Senhora do Rosário no Facebook, indicadores de que a comunidade, atualmente, desenvolve intensa atividade. Na breve história da República Tcheca, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário tem, seguramente, uma singular participação. De certa forma, o ícone no presbitério, sobre o altar, sinaliza a presença de Maria Santíssima exatamente como de uma Mãe amorosa que se apresenta disposta a socorrer e exorta os filhos à pratica constante da oração, sobretudo em situações muito adversas em que se corre risco de vida.


7- A Virgem com o Rosário Pintura de Pierre Bronzet, o mais velho

Esse belo quadro surgiu no contexto de nossa pesquisa, durante a busca por um ícone a ser destacado no dia 08 de maio. A suavidade e a simplicidade da pintura, uma cena bucólica, retratando o diálogo entre São Domingos e a Virgem Maria, de forma realista, bastante objetiva, chamou a nossa atenção. Era perceptível à primeira vista, um reenquadramento da cena para publicar a imagem na WEB. Não havia nesse local da publicação, menção alguma ao autor da pintura ou mesmo ao local onde ela se encontrava. Mas, como a legenda da imagem parecia ser o próprio título da obra e por se tratar do site da Associação da Medalha Milagrosa em Paris, iniciamos uma pesquisa, valendo-nos dessa legenda em Francês.

Após o carregamento de muitos sites e páginas, foi possível localizar a pintura e identificar o seu autor. O quadro “A Virgem com o Rosário” se encontra na Igreja Saint-Cannat em Marselha e Pierre Bronzet, o mais velho, é responsável pela criação da tela.

Conforme a informação disponível na página, a Igreja Saint-Cannat está localizada “ perto da rua da República. Foi construído pelos Irmãos Pregadores ou Dominicanos, expulsos de seu convento original do século 13 pelas tropas imperiais que sitiaram Marselha. A igreja foi construída ao longo de quase 100 anos, de 1526 a 1619 e amplamente modificada depois disso. Uma vasta nave neogótica única, simplesmente delimitada por 7 capelas laterais, responde ao espírito de reconquista espiritual do Concílio de Trento (1545-1563), que exigia que todos os fiéis pudessem ouvir o pregador, visível para todos, em um púlpito soberbo adornado com elementos de madeira retorcida. O estilo barroco, inspirado diretamente no Concílio de Trento, é caracterizado pelo exagero de movimento, exuberância, grandiosidade, em reação à austeridade dos templos protestantes”.

O texto que faz referência ao histórico da Igreja dos Pregadores, esclarce que ela “leva o nome de Saint Cannat, que lhe foi atribuído após a destruição da Igreja do mesmo nome (no local da atual prefeitura). Saint Cannat viveu como um eremita no século 5, perto de Aix em Provence. Segundo a lenda, ele aceitou ser bispo de Marselha somente depois do milagroso aparecimento de brotos em sua bengala. Ele é lembrado como um bispo enérgico que lutou tenazmente contra o paganismo e a heresia”.

As páginas consultadas apresentaram uma descrição detalhada da Igreja, mencionando que ela “tem belos móveis: o altar-mor em mármore policromado de Fossaty e o serralheiro Gaspard Forty de 1755, o púlpito do século XVII, a Capela dos Notários e pinturas de Michel Serre, Reisson, Faudran e Parrocel. A caixa de órgão produzida por Jean-Esprit Isnard em 1747 é uma maravilha, classificada como Monumento Histórico”.

Ressaltamos essa descrição da Igreja de Saint-Cannat porque ela nos oferece um testemunho sobre o patrimônio histórico-cultural da Ordem dos Pregadores, que se revela sobretudo no âmbito pastoral da iniciativa frequente de edificação de novas Igrejas com base na formação de uma comunidade coerente na fé, capaz de se unir no ideal cristão de transformar realidades adversas. Essas iniciativas são marcadas pela via da solidariedade que promove a convivência fraterna que por sua vez, dá frutos para toda a comunidade. Podemos observar muito bem essa realidade na cidade de Uberaba que tem inúmeras Paróquias que devem sua origem e a construção de suas Igrejas aos Dominicanos, como as Paróquias Santa Terezinha, Sagrada Família, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, incluindo-se pequenas Capelas como a Santa Catarina de Siena, de Santa Rosa de Lima e as de Nossa Senhora Aparecida da Serrinha, de Santa Fé na zona rural e as da Vila Esperança e do Bairro Josa Bernardino II em Uberaba. Somando-se a Paróquia São Domingos e a Capela Conventual do Colégio Nossa Senhora das Dores são doze iniciativas que coroaram o esforço evangelizador da Arquidiocese com a oferta de igrejas destinadas ao culto divino. Conforme o Catecismo da Igreja Católica, “essas igrejas visíveis não são simples lugares de reunião, mas significam e manifestam a Igreja viva neste lugar, morada de Deus com os homens reconciliados e unidos em Cristo”. (CAIC, n.1180, p.333).

A par de todas essas informações e considerações, retornamos à questão do ícone que encontramos na página da Associação da Medalha Milagrosa, um recorte da obra “A Virgem com o Rosário” com a função de ilustrar o texto sobre São Domingos, escrito pelo Padre Jean-Daniel Planchot, CM, Capelão nacional das equipes da Federação Francesa de São Vicente, AIC-França.

Nesse seu texto, Padre Jean-Daniel descreve exatamente, o momento em que Nossa Senhora confia a São Domingos a responsabilidade de pregar o Rosário, fazendo o seguinte relato:

“São Domingos, em 1214, desanimado com as poucas conversões, a imensidão da tarefa e as forças da perversão, retirou-se para um bosque perto de Toulouse, começou a rezar e a fazer penitência. No terceiro dia, a Virgem Maria apareceu-lhe e disse-lhe:

“Meu filho Domingos, não se surpreenda se não conseguir pregar! Porque você está arando solo que não foi regado pela chuva. Saiba que quando Deus quis renovar o mundo, ele primeiro enviou a chuva da Saudação Angélica, e assim o mundo foi redimido. Portanto, exorte os homens em seus sermões a recitarem meu Saltério (mais tarde chamado de Rosário), e você colherá grandes frutos para as almas. "

Domingos o fez a partir de então, e os resultados logo foram consideráveis. Foi o Rosário e não as armas que converteram”.

Essa narrativa não tem referência bibliográfica, mas, sabe-se que essa floresta à qual se refere Padre Jean-Daniel é a de Bouconne, em Toulouse. Existe também outro contexto, envolvendo esse provável recebimento do Rosário, o qual reporta-se à aparição de Nossa Senhora em local próximo ao mosteiro de Prouille.

Sobre essas tradições, não é possível afirmar nada, por falta de material documental, mas, em relação ao desenvolvimento da missão de São Domingos, podemos, sim, constatar o seu sucesso mediante o seu legado e a impressionante popularidade do Rosário ou mesmo do Santo Terço no mundo. A discussão, portanto, não gira em torno do local e da forma mediante a qual São Domingos recebeu a incumbência de pregar o Rosário, e até mesmo, sobre quais seriam as palavras pronunciadas por nossa Mãe Santíssima nesse momento.

Oito séculos depois da Páscoa de São Domingos, o que se evidencia e realmente importa, é a propagação da devoção Mariana e a difusão do Rosário, belo e profundo vínculo dos Dominicanos que o levam, inclusive, atado ao cinto que compõe o seu hábito. E, sobretudo, é preciso considerar que inúmeras vezes ocorreram novas aparições de Maria Santíssima e nesses momentos extraordinários, as solicitações feitas por ela, reiteraram o pedido de que nos dediquemos à prática de oração do Rosário.

Essa última observação tem grande relevância também porque traduz o claro objetivo de todos os fatos aos quais nos reportamos e que nos revelam o sentido e o objetivo da devoção Mariana e da oração do Rosário: é preciso que oremos juntos, vivenciando uma verdadeira experiência de catequese mediante a contemplação e meditação sobre os Mistérios da Redenção. A oração comunitária nos aproxima, nos irmana e nos auxilia a colocarmos nossa esperança em Deus. De certa forma, pode-se dizer que o Rosário é a rede de pescar almas de Nossa Senhora.

Oxalá, então, não nos falte confiança em Deus, perseverança na oração e profundo e permanente sentimento de compaixão. Que essa prática nos anime a depositar a nossa esperança em nosso Pai e a persistir na oração por nossos irmãos que sofrem! E não somente conhecendo melhor e refletindo sobre as passagens da vida de Cristo e de Maria Santíssima, mas, também, agindo de forma objetiva em prol de todos aqueles que necessitam de nosso auxilio.


8- Tímpano da Basílica de Nossa Senhora do Rosário

A nossa pesquisa ontem caminhou por diversos países, selecionamos mais de um ícone de Nossa Senhora do Rosário. Outrossim, buscamos diversificar a técnica empregada e os materiais. Dentre as raras e delicadas peças que vimos, uma delas ficou em nossa memória, um tímpano de Nossa Senhora do Rosário que ilustrava um longo artigo sobre as Confrarias do Rosário em uma página do site dos Frades Dominicanos da Inglaterra e Escócia. Não havia referência sobre essa foto ilustrativa, nenhuma informação que indicasse o local onde se encontraria esse belo tímpano.

Iniciamos, então, uma investigação com o título “ Alto relevo de Nossa Senhora do Rosário” em Francês. Qual não foi a nossa surpresa, quando surgiram inúmeras fotos desse tímpano revelando que ele está na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Lourdes.

A descrição que encontramos esclarece que “o tímpano do portal de entrada da Basilica é encimado por um grande grupo talhado em pedra branca, obra de Henri-Charles Maniglier, que representa a Virgem e o Menino Jesus, entregando um Rosário a São Domingos.

Transcrevemos aqui, as informações que encontramos, que ressaltam que “a Basílica de Nossa Senhora do Rosário é a segunda das três basílicas de Lourdes, o centro de peregrinação mais importante dos Altos Pirenéus e da França, desde as aparições de Lourdes. Consagrada em 1901, é conhecida como “basílica inferior” para distingui-la das basílicas respectivamente designadas “superior” (Basílica da Imaculada Conceição) e “subterrânea” (Basílica de São Pio X), as três formando parte do complexo do Santuário de Lourdes que ainda inclui a Igreja de Santa Bernadete, a mais recente nos seus locais de culto e número de capelas”.

O motivo pelo qual foi edificada uma segunda basílica no famoso local das aparições de Nossa Senhora é o fato de que “a primeira basílica se revelou rapidamente muito pequena em relação ao número de peregrinos que vinham a Lourdes; além disso, o edifício erguido sobre a rocha da gruta de Massabielle era de difícil acesso. É por isso que o novo bispo de Tarbes, Dom Langénieux percebeu a necessidade de construir um novo local de culto e, ele próprio apresentou um projeto nesse sentido ao Papa Pio IX em fevereiro de 1875”.

A topografia da região não favorecia a edificação, somente “após extensos trabalhos de preparação do terreno, a primeira pedra do novo edifício, dedicado à Nossa Senhora do Rosário, foi benta a 16 de julho de 1883, 25º aniversário da última aparição da Virgem a Bernadete (durante as suas 18 aparições, a Virgem sempre teve um rosário nas mãos, daí o nome escolhido para o edifício). A grande obra de arte foi concluída em 1889, e a igreja foi abençoada em 7 de julho daquele ano

A decoração, tanto interior como exterior, ainda estava por fazer e tinha por objetivo ilustrar os mistérios do Rosário, e para isso o arquiteto tinha originalmente planejado grupos esculpidos. Finalmente, foram os grandes painéis de mosaico que foram feitos, a partir de 1894, pelo famoso mosaicista franco-italiano Giandomenico Facchina, seguindo os desenhos de vários pintores diferentes; a série não foi concluída até 1974. [...] O edifício, em estilo romano-bizantino, tem a forma de cruz grega com uma área de 2.000 m2, o que lhe confere uma capacidade para 1.100 pessoas”.

Essas informações sobre a Basílica de Nossa Senhora do Rosário em Lourdes abrem diversas perspectivas de reflexão, com destaque para a própria história das aparições de Nossa Senhora na Gruta de Massabielle e o seu desdobramento que se encontra agora na marca de 6 milhões de peregrinos por ano, distinguindo o complexo do Santuário como um dos três mais visitados do mundo.

Vamos nos ater, no entanto, ao nosso ponto inicial, o tímpano de Nossa Senhora do Rosário que ilustrava o artigo sobre as Confrarias do Rosário em uma página do site dos Frades Dominicanos da Inglaterra e Escócia. Esse artigo nos diz o seguinte:

“A Confraria do Rosário é uma associação piedosa da Igreja Católica, aos cuidados da Ordem Dominicana. Seus membros se esforçam para rezar o Rosário completo (15 décadas) uma vez por semana. Eles formam uma união de Fiéis em todo o mundo que, junto com suas próprias intenções, rezam pelas intenções e necessidades de todos os membros da Confraria, vivos e mortos. Disse São João Vianney: “Se alguém tem a felicidade de estar na Confraria do Rosário, tem em todos os cantos do mundo irmãos e irmãs que rezam por ele”. Para ingressar na Confraria, é necessário ser um católico batizado e assumir voluntariamente as obrigações de membro em um espírito de devoção genuína”.

Se pudéssemos subtrair, subitamente, toda a engenharia humana, a edificação do grandioso complexo, o material disponibilizado na Internet, como que numa escalada em busca do que é prioritário e essencial, acabaríamos por encontrar duas mulheres em singular colóquio, uma jovem bastante simples e a outra se apresentando em sua simplicidade também, com um intuito claro que transparece de forma muito objetiva em suas mãos. A jovem da Terra traz tão somente a sua boa vontade e a mulher do Céu, o seu Rosário. Uma se chama Bernadete e a outra se anuncia como a “Imaculada Conceiçao”.

É o quanto basta, esse colóquio. Se tudo o que foi edificado não edificar nossa confiança em Deus e nosso desejo de servir como Jesus exemplificou na Santa Ceia e não gerar em nós o anseio de nos dedicarmos à prática da oração e à participação na Santa Missa assumida realmente na vida, na forma de missão que evangeliza porque contribui para paz no mundo, buscando minimizar ou sanar o sofrimento de nossos irmãos, que sentido concreto, que função real terá o lindo tímpano da Basílica de Nossa Senhora do Rosário junto com todo o complexo do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes?

Fica, assim, posta a questão. O convite para orarmos o Rosário precisa ser reiterado, não apenas porque Maria Santíssima nos solicita e pode interceder por nós, mas, também porque a visão crítica da situação em que se encontra a humanidade nos sensibiliza, desperta nossa compaixão e nos mobiliza no sentido de orarmos pessoal e comunitariamente em prol de nossos semelhantes e de nós mesmos porque somos todos necessitados da oração uns dos outros. Dessa maneira, aprenderemos a nos perdoar, a nos amar e poderemos receber o perdão de nosso Pai e nos abrirmos para a graça do seu amor. Maria estará assim, nos auxiliando a fazermos o que o seu Filho nos pede. É realmente o quanto basta, porque como nos diz Santa Teresa de Ávila, só Deus basta.

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