Primeira Carta de Pedro

Atualizado: Mai 10

Concluindo nossa reflexão sobre a Primeira Carta de Pedro, vemos que ela apresenta a realidade do povo, ocupando-se com o quotidiano, como o incentivo na hora do sofrimento, a exortação à prática do amor e o cuidado para que as comunidades permaneçam unidas na hora das tribulações, das perseguições e desafios.


Essa carta gera na comunidade uma compreensão crítica da realidade, trazendo uma mensagem de alento, esperança e coragem para a sofrida comunidade cristã diante das perseguições externas. O sofrimento, a calúnia e a perseguição parecem partir dos pagãos vizinhos, os quais os desprezam e maltratam por causa do “nome de Cristo” (1,1). O autor escreve para animá-los, para que se mantenham fiéis a sua vocação, considerando que formam uma “raça escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa” (2,9).


A epístola se expressa em forma de catequese batismal ou como uma homilia pascal que procura firmar a fé e a esperança das comunidades, relembrando a graça, mas também o compromisso assumido no batismo. A esperança se baseia na certeza da manifestação de Jesus Cristo. Os cristãos são encorajados a perseverarem, mostrando que a vida nova provém de Deus; que foi o Senhor quem os escolheu e os consagrou através do Espírito Santo. Os cristãos são, portanto, pessoas separadas do mundo (visto como mundo de mal, injustiça e pecado) e chamadas por Jesus Cristo, numa livre e amorosa obediência, para continuar o testemunho de Cristo. Jesus foi perseguido e morto. A perseguição para os cristãos não é motivo de desânimo ou desonra, mas um selo de autenticidade de seu testemunho que os une ao Cristo Jesus.


A epístola mostra que a Igreja é o novo Povo de Deus, que testemunha o Ressuscitado, que virá julgar e salvar o mundo. O testemunho da Igreja deve provocar a reação da sociedade: aceitação ou oposição opressiva, mas jamais a inércia. Na profissão de fé da Igreja, o Símbolo dos Apóstolos possui grande ligação com a 1ª Pd. O Credo Apostólico adquiriu sua forma definitiva apenas no final do século II, mas o Novo Testamento e os Padres Apostólicos elaboraram fórmulas de fé bem estruturadas (sintéticas) que fossem de fácil memorização pelos cristãos. Estas fórmulas expressavam a fé cristã e muitas receberam a influência da 1ª Pedro.


Creio em ...

DEUS PAI – 1Pd 1,2-3

Criador – 4,19

Juiz dos vivos e dos mortos – 2,23; 4,5


JESUS CRISTO – 1Pd 1,2-3

Sofreu segundo a carne 2,22s; 3,18

Desceu a mansão dos mortos – 3,19; 4,6

Está assentado à direita de Deus Pai – 3,22


ESPÍRITO SANTO

Falou pelos profetas – 1,11

Princípio de ressurreição – 3,18

Habita na Igreja, casa espiritual – 2,5


IGREJA

É o Povo santo de Deus – 2, 9-10


BATISMO

Regenera o homem – 1,23; 3,21


VIDA ETERNA

Será com a parusia de Cristo – 1,5-7


A 1ª Pd ainda faz amplo uso do Antigo Testamento para exprimir a fé ou desenvolver suas exortações. Estas citações reforçam a fé das comunidades, mostrando que Jesus Cristo é o cumprimento pleno das promessas vetero-testamentárias. Numa época de conflitos camuflados de paz aparente, como os tempos atuais, a 1Pd se reveste de importância por trazer uma palavra de esperança e confiança na presença de Jesus Cristo junto a sua Igreja.

A 1Pd convida os fiéis a erguerem a cabeça: “Honra a vós, os que credes” (2,7), não por méritos pessoais, mas em razão da grande esperança que Deus abriu para todos nós, na ressurreição de seu Filho (1,3s). Nossa esperança está na graça de Deus. Ao cristão, como resposta desta esperança confiante em Deus, cabe a resposta dada através de uma conduta prática que revele sua união ao Cristo, e não através de discursos vazios ou palavras perdidas (3,1s)

É verdade que a espera próxima da 2ª vinda de Jesus seria o alento que sustenta o vigor das comunidades cristãs. Mas o centro da esperança não está na parusia e sim na Ressurreição de Jesus. O alongamento do prazo dado por Deus para a 2ª vinda de Jesus não deve diminuir a certeza do encontro definitivo com Cristo, nem ofuscar a alegre esperança dos cristãos. O céu não se desgastará com o passar do tempo. Além do mais, cada cristão já experimenta a presença real de Jesus em sua vida desde seu batismo. O cristão já vive com Cristo, “a quem amamos sem o termos visto; em quem acreditamos, sem o vermos ainda” (1Pd 1,8).

Em nosso próximo artigo, iniciaremos a reflexão sobre a Segunda Carta de Pedro.



Padre Marcelo Lázaro

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