São Benedito: Testemunha de Esperança


A Festa de São Benedito deste ano é um convite a mantermos viva nossa esperança, especialmente neste contexto de mundo desesperançado. A vida de São Benedito é um testemunho de fé e esperança. A novena deste ano nos convida a vermos em São Benedito a Testemunha da esperança, sempre pedindo a Cristo: Permanece conosco, Senhor!

Durante a Novena conhecemos um pouco da história de São Benedito, que nasceu em Filadelfo, na ilha italiana da Sicília. Segundo o testemunho de sua mãe, as primeiras palavras que Benedito pronunciou, ainda bebezinho, foram Jesus e Maria. Ainda criança, Benedito preferia rezar o Pai-Nosso do que brincar. Seus pais eram escravos etíopes e ensinaram seu filho a participar de todas as celebrações e orações católicas. A infância de Benedito, mesmo em meio às dificuldades, foi marcada pela fé e esperança.

A vocação religiosa de Benedito era tão forte que, enquanto trabalhava como pastor de ovelhas, passava grande parte do tempo rezando as contas do rosário. Testemunhou a emoção que foi, ainda criança, receber Jesus Cristo na Eucaristia, em sua Primeira Comunhão. Gostava de ficar sozinho, em silêncio e intimidade com Deus. Quando tinha 18 anos, decidiu consagrar-se a Deus, fazendo voto de obediência, castidade e pobreza.






Benedito, embora filho de escravos, foi liberto desde a infância e aos 18 anos já havia decidido servir a Deus na vida religiosa. Aos 21, foi chamado por um monge dos irmãos eremitas de São Francisco de Assis. Benedito aceitou o convite e começou a viver como eremita, na pobreza e oração. Andava descalço pelas ruas na região de Santa Dominica e acolhia todos os que vinham pedir-lhe orações e conselhos. Fazia muitos sacrifícios e jejuns. Diante de seu testemunho de Cristo, começou a circular entre o povo a fama dos milagres de Deus através de Benedito.

Depois de 17 anos, na total solidão e serviço a Deus na oração e testemunho de humildade, Benedito foi para o convento franciscano de Santa Maria de Jesus em Palermo, na Itália. Cumprindo seu voto de obediência, foi designado para ser cozinheiro no Convento. Sua piedade, amor, sabedoria e santidade levaram seus irmãos de comunidade a elegê-lo Superior do Convento, apesar de analfabeto e leigo, pois Benedito não foi ordenado sacerdote. Seus confrades o consideravam iluminado pelo Espírito Santo, com sabedoria infusa. Ao terminar o tempo determinado como Superior do Convento, reassumiu com muita humildade, mas com grande alegria suas atividades na cozinha do convento.





São Benedito é considerado o padroeiro dos cozinheiros e das pessoas humildes. Como cozinheiro do convento, Benedito doava grande parte dos alimentos às pessoas que passavam fome e batiam à porta do convento. Por isso, passou a ser conhecido como um provedor de alimentos. Acostumado a esvaziar a despensa do convento para doar alimentos aos pobres, o frei franciscano foi repreendido por seu superior, que ordenou que parasse com aquela ação por estar deixando a mesa do convento desprovida. Mas Benedito não conseguiu ficar sem ajudar os mais necessitados e escondeu na barra de seu manto os poucos pães que restavam na cozinha. Surpreendido pelo superior, disse que levava flores nas vestes e tirou dali um ramalhete de rosas vermelhas, que se espalharam pelo chão. Este milagre veio em socorro de Benedito, quando Deus transformou os pães em rosas para que ele permanecesse na integridade de dizer sempre a verdade.

No Convento de Santa Maria de Jesus, Deus concedeu muitos milagres pela intercessão de Benedito, enquanto cuidava da cozinha. Um dos milagres foi o dos peixes. Os frades de todos os lugares ao redor tinham se reunido no convento de Santa Maria de Jesus para o Capítulo Provincial Franciscano. Era um inverno muito rigoroso, o que impediu os frades de pedirem esmolas e doações na região. Os alimentos que tinham eram poucos para tanta gente. Responsável pela cozinha, Benedito pediu aos irmãos frades que enchessem vários potes com água e as cobrissem com tábuas. Depois de terem feito isto, Benedito retirou-se para sua cela e passou a noite em oração. De manhã, mandou que tirassem as tábuas e pegassem os peixes grandes que ali estavam em grande quantidade. Benedito tornava-se modelo de confiança na Providência Divina.

Durante o tempo no Convento, além de Superior, Benedito também se tornou Mestre de Noviços, responsável pela formação dos futuros frades. Depois, ao retornar para a cozinha, ele se preocupou sempre em dar testemunho do amor de Deus aos frades. De volta à cozinha do convento de Santa Maria, trabalhavam com Benedito alguns irmãos leigos e clérigos. Benedito percebia que eles desperdiçavam pão. Com o coração entristecido pelo desperdício de alimento, Benedito os advertia, dizendo-lhes que o pão era o alimento dos pobres. Afirmava: “O pão que sobra é o sangue dos pobres, ouviram?” Entretanto, mesmo diante de seus pedidos, eles continuavam a desperdiçar pão. Um dia, Benedito tomou uma esponja usada para limpar os pratos e que estava cheia de migalhas de pão e, diante dos frades, apertou a esponja, e todos viram escorrer muito sangue das migalhas do pão. Os noviços se arrependeram e pediram perdão a Deus. A graça de Deus deve sempre ser partilhada como vida para todos.


Outro milagre aconteceu quando o Arcebispo de Palermo, Dom Diogo, que sempre fazia retiro espiritual no Convento de Santa Maria de Jesus, resolveu passar o Natal no Convento. Conhecendo a pobreza dos frades, levou consigo uma boa provisão de alimentos. Na Missa da manhã do dia de Natal, Frei Benedito se aproximou da comunhão com muito fervor. Após a comunhão, se pôs a contemplar a imagem do Menino Jesus na capela e permaneceu ali por muito tempo, esquecendo-se dos deveres da cozinha. Chegou a hora do almoço. O Superior dirigiu-se à cozinha. O fogo ainda estava apagado. E ninguém na cozinha! Todos procuravam Benedito e o almoço para a comunidade e para o arcebispo não estava pronto... O fogo nem estava aceso ainda. Estavam todos preocupados com a vergonha que o convento passaria diante do arcebispo. Encontraram Bendito ao lado do altar a contemplar a imagem do Menino Jesus. Ao ser chamado por um frade, Benedito, como que acordando de um êxtase, diz calmo e sorridente: “Não se aflija, meu Irmão!”. Acendeu o fogo e pôs-se de joelhos. Depois de alguns minutos, os frades o encontraram ainda de joelhos e disseram: “Este Irmão cozinheiro ainda a rezar? Hoje não se almoçará no convento! Que diremos ao arcebispo?”

Frei Benedito ordenou: “Mandem tocar a sineta para o almoço!”. Ao entrarem na cozinha, os frades viram na cozinha dois moços cheios de luz, junto com Benedito. Eles acabavam de preparar os pratos e os deixaram prontos, cheirosos e apetitosos, para serem servidos. Em minutos, Frei Benedito e dois anjos prepararam miraculosamente o almoço. E o que todos viram era inacreditável!

São Benedito tinha um grande amor a Nossa Senhora. Tudo o que pedia a Deus por intercessão de Maria, o Senhor lhe concedia. São Benedito servia a Jesus buscando viver o exemplo de Maria. Suas orações, antes de pedir qualquer milagre, eram sempre o rosário e súplicas a Nossa Senhora, porque dizia que Jesus iria sempre ouvir os pedidos confiados a Maria, Mãe da Igreja.

Em seus momentos de oração, a Virgem Maria aparecia para São Benedito e lhe entregava o Menino Jesus para que Benedito pudesse rezar, tendo nos braços o Filho de Deus, como contemplamos em sua imagem. A devoção de São Benedito voltou-se para Santa Maria de Jesus, padroeira de seu convento, que sempre nos ensina a viver com Jesus, ter Cristo em nossas vidas e dar Jesus ao próximo.

São Benedito morreu no dia 04 de abril de 1589, aos 65 anos, em Palermo, na Itália. Em suas últimas palavras, Benedito chamou pelo nome de Jesus e de Maria Santíssima. Na porta de sua cela no Convento de Santa Maria de Jesus se encontra uma inscrição em italiano, indicando que ali viveu São Benedito, com as datas 1524-1589, seu nascimento e sua morte. No fim de sua vida, Benedito já era reconhecido como o padroeiro dos pobres. O processo de canonização começou em 1592, três anos após sua morte. No entanto, só dois séculos depois, em 24 de maio de 1807, Benedito foi canonizado com a apresentação de 27 milagres. Em 1611, ao constatarem que seu corpo estava intacto e incorrupto, os monges o colocaram em uma urna de cristal. Depois da canonização, seu corpo foi colocado sob o altar no Convento de Santa Maria de Jesus.

Vários milagres foram atribuídos a São Benedito: a cura de vários cegos, a cura de muitas doenças, a ressurreição de duas crianças que haviam falecido e a multiplicação de alimentos em diversas ocasiões. Benedito, enquanto estava na cozinha do convento, conseguia a graça da multiplicação da comida para atender a todos os pobres e aos irmãos de convento. Frei Benedito não deixava ninguém passando fome. Ele era o modelo de caridade e humildade e muitos vinham ouvir suas orações e pregações. Seu brilho de santidade se espalhou até chegar aqui em nossa paróquia, em Uberaba.


Nesta novena, ao renovarmos nossa devoção a São Benedito, queremos recordar um costume antigo em nossas casas: diante da imagem do santo em nossas cozinhas, ao oferecer o primeiro café do dia a São Benedito, pedimos que nunca falte o alimento para nossa família e que ele interceda pedindo as graças de Deus sobre nossos lares.

Ao oferecer o café, faça esta oração: “São Benedito, com a graça de Deus, tudo caminhe bem nesta casa. Não nos falte saúde, amor, carinho, paz, alimentos e prosperidade”.


São Benedito, rogai por nós!

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