São Jerônimo: a fé diante do texto sagrado

O estudioso francês Michaël Oustinoff disse em seu livro “Tradução: história, teorias e métodos” que a Bíblia foi o objeto de maior empreendimento de tradução na história da humanidade. Foi traduzida em 2.233 línguas diferentes. E esse empreendimento só se tornou tão grandioso, graças aos esforços de um tradutor primeiro: o presbítero Jerônimo, aproximadamente no final do século IV e começo do V. Eusebius Hieronymus (São Jerônimo) era um intelectual de raízes pagãs, leitor dos antigos filósofos e pensadores greco-romanos. Isso até sua conversão ao cristianismo, em razão de um sonho que teve sobre o juízo final. Depois, tornou-se um grande asceta, indo para os desertos siríacos e para a Terra Santa. Todavia, sua saúde física não lhe permitiu continuar na vida contemplativa nos desertos, tendo ido para Roma para ser secretário do Papa Dâmaso I.



Jerônimo, que antes era amante das letras clássicas, passou então a empregar sua vocação inicial a serviço da Igreja. Enquanto estava na vida ascética, estudou as línguas bíblicas (hebraico e grego), o que depois seria útil para suas traduções dos livros sagrados. Em Roma, o santo dava aulas sobre a vida monástica para nobres senhoras da sociedade e, ao mesmo tempo, empregava seus esforços no que viria a ser a tradução oficial da Bíblia da Igreja: a Vulgata. Do latim Vulgus (vulgar = comum), a Vulgata como tradução comum dos textos bíblicos tornou-se a fonte-padrão textual para a liturgia e os estudos posteriores de exegese (estudo crítico-analítico sobre o texto) e hermenêutica (arte da interpretação) bíblica. A tradução realizada por São Jerônimo deu-se a partir dos textos originais do Novo Testamento, escritos em grego koiné (vertente do grego comum). Para o Antigo Testamento, escrito originalmente em hebraico, consultou primeiro a tradução grega desses textos (conhecida como Septuaginta ou LXX – a versão usada pelos primeiros cristãos, inclusive São Paulo) e, depois, cotejou sua tradução com o original hebraico. O hebraico (da família semítica das línguas) era, por sua vez, muito mais complicado para o santo que o grego (da família indoeuropeia).


Com isso, o empreendimento intelectual de São Jerônimo ganhou forma. Contudo, seu maior legado para a posteridade não foi a capacidade da tradução em si, mas o estado de fé diante do texto. Os textos sagrados não possuem as mesmas caraterísticas que textos comuns (literatura universal, digamos); eles têm um caráter salvífico de vida. A semântica bíblica – o sentido do texto bíblico – está voltada para a salvação do gênero humano mediante a fé (Rm 3,21). É a fé que não permite que encaremos uma passagem bíblica fora de seu contexto salvífico ou sem uma introdução específica a determinada mensagem teológica. A leitura de fé está para além de uma realidade meramente crítico-exegética, motivo pelo qual surgirá depois no período medieval o desenvolvimento interpretativo dos quatro sentidos das Sagradas Escrituras: literal, alegórico, moral e anagógico. Isso, nas palavras do estudioso Agostinho de Dácia (1260 d.C.), em sua obra Rotulus pugillaris, significa que “a letra ensina o que aconteceu, a alegoria no que acreditar, a moral como agir e a anagogia para onde irás”. Diante disso, a fé é o critério para a interpretação do texto bíblico, motivo pelo qual qualquer um poderia estudar as Sagradas Escrituras de um ponto de vista crítico. No entanto, somente através da fé que abrange a vida prática em Deus, do que se aprende é que se alcança o sentido do texto em sua integralidade. Isso São Jerônimo o fez no passado, deixando tal legado para o futuro que, atemporalmente, é o “hoje” da fé.

Pablo Borges

Seminarista do 4º ano de Teologia

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