Solidariedade em tempos de incertezas

Atualizado: 17 de Set de 2020

Estamos vivendo momentos de insegurança e medos, fruto de uma realidade que nos foi colocada sem dar a chance de nos prepararmos. Este novo tempo traz imensuráveis reflexões que nos levam a perguntar qual será nosso destino.

Infelizmente, nem sempre conseguimos visualizar alguma resposta mais urgente que nos possibilite direcionar nossos caminhos e nossa história. Frente a este contexto, procuramos, de uma maneira menos dolorida, reconstruir nossas caminhadas e apontar novos horizontes. Para tanto, a única certeza que podemos apresentar neste momento é que não conseguiremos superar nossas inquietações senão por meio da solidariedade. É ela que, de fato, nos arranca do imobilismo.


Muitas vezes fizemos nossa caminhada pautada numa concepção solitária e de costas para a dor do outro. E nossas atitudes nunca nos incomodaram; afinal, pensávamos que as dores que acometiam o outro jamais seriam nossa dor. Verdade é que a realidade tem nos mostrado, e de maneira escancarada, que podemos não sentir as dores dos outros, mas os outros também não podem sentir nossas dores. Notadamente, é no tempo de dor que somos levados a refletir sobre o sentido de nossa existência pessoal e social.

Dentre as indagações que permeiam nossa realidade, está a de tentar compreender como um vírus, de proporção quase invisível, tem força para mudar todo um contexto mundial. E levanto uma questão: será um vírus, que parece ter vindo do nada, o responsável por toda a tragédia da humanidade? Aí se coloca a necessidade de trazer para o campo real a tão necessária consciência crítica. É ela que alicerça nossas reflexões, permitindo, assim, compreender que o aparecimento do vírus é resultado das ações humanas em relação ao outro e à natureza, tão decantada pelo próprio homem.


Falar em solidariedade em meio ao atual cenário nos leva a levantar uma bandeira de luta em prol do outro, num gesto de profundo compromisso, trazendo para a realidade atual a verdadeira aliança de Jesus Cristo com os sofredores. Fazer da ação solidária o arcabouço da práxis cristã possibilita a quebra de uma caminhada solitária ausente em uma percepção mais radical para a própria dor, que o próprio Cristo manifestou em seu calvário: “Pai, afasta de mim este cálice” (Lc 22, 42).

Finalizando, a arte de fazer da vida a caminhada para a construção de um outro mundo possível passa pela conjugação dos três verbos ver, julgar e agir, fundamentais à reconstrução de nossas próprias vidas, num momento tão único e propício ao crescimento espiritual da Humanidade como este. Solidariedade em tempos de incertezas é o que nos faz crescer rumo à superação de nossas limitações sociais e espirituais.


Maria Rita Nascimento Pereira

Coordenadora da Pastoral da Educação da Arquidiocese de Uberaba

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